Sintep-MT acredita que projeto para reformular Estatuto dos servidores é cortina de fumaça
Para o sindicato, um projeto de endurecimento ao estatuto do servidor traz regras já existentes e desvia o foco das obrigações do Estado com valorização e respeito aos direitos dos servidores
Publicado: 26/08/2025 16:34 | Última modificação: 26/08/2025 16:34
Escrito por: Roseli Riechelmann

Enquanto os sindicatos de servidores do Estado cobram respeito à legislação e a valorização profissional, o governo encaminha para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) um projeto de lei para endurecer o Estatuto do Servidor. A medida é recebida como “cortina de fumaça”, para encobrir as reais obrigações do Estado, aponta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes.
Para o Sintep-MT a proposta é vazia diante do conjunto robusto de leis existentes - incluindo o Código Civil, o Estatuto do Servidor e a própria Constituição Federal, que disciplinam devidamente a conduta dos servidores e já preveem punições em casos como assédio moral, assédio sexual ou negligência no cumprimento de deveres.
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“Quem foi que disse que não existe punição para assédio moral? Quem foi que disse que está autorizado coagir alguém a se filiar em partido político ou sindicato? Isso é uma narrativa criada para endurecer contra os servidores”, pontua o presidente Henrique Lopes.
O dirigente acredita que esse projeto é uma estratégia para jogar sobre os ombros dos servidores públicos a responsabilidade pelas falhas do Estado, ao mesmo tempo em que o governo mantém políticas que favorecem apenas uma pequena parcela da população.
“Ultimamente virou moda não investir, não assegurar estrutura mínima e colocar um Estado rico a serviço de uma pequena casta, por meio de isenções e incentivos fiscais, e depois responsabilizar os servidores, que carregam esse Estado nas costas”, completou o presidente da entidade.
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Reforma Administrativa
O projeto de lei do governo de Mato Grosso surge justamente quando o Congresso Nacional já discute uma proposta de reforma administrativa, que pode agravar ainda mais a precarização dos serviços públicos. Diante disso, o sindicato alerta que seguirá mobilizado para defender os servidores e o serviço público em nível nacional e buscar diálogo também junto ao governo estadual.
Em relação à atuação sindical, o dirigente do Sintep-MT ressalta que os sindicatos são garantidos pela Constituição Federal, especialmente entre os artigos 8º e 11, e que estes têm papel assegurado nas negociações coletivas. Um destaque importante diante da postura do governo estadual, que, afirma Henrique Lopes, “tem se recusado a receber representantes das categorias para negociar”.
“Seria interessante que o governador lesse à Constituição. Ela garante que ninguém é obrigado a se filiar a sindicato, mas reconhece com todas as letras o papel da entidade nas negociações coletivas”, finaliza.