Sintep-MT critica alto custo para a sociedade com evento realizado em resort
O governo do estado tenta arregimentar parte da categoria com práticas luxuosas que não condizem com a realidade da escola
Publicado: 03/04/2025 18:45 | Última modificação: 03/04/2025 18:45
Escrito por: Roseli Riechelmann

O governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso, conclui nesta quinta-feira (03/04) a 2ª edição da Convenção com Diretores da rede estadual. O evento realizado mais uma vez no luxuoso resort Malai Manso, em Chapada dos Guimarães, cumpre ao propósito da política meritocrática da gestão Mauro Mendes. Prestigia com três dias de descanso os gestores, para o resto do ano cumprir a cartilha do governo, atingir índices de educação, apesar do desmonte da escola pública estadual.
Para o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), o projeto de ataque a educação pública completa, em 2025, sete anos de execução, e os alertas feitos pela entidade para toda a sociedade continuam a ser ignorados.
“O modelo adotado em Mato Grosso, desde 2019, traz influências dos estados como Paraná e São Paulo, e está distante da proposta de uma educação pública transformadora, voltada para os filhos e filhas da população que mais necessita da escola”, afirma a secretária de Políticas Educacionais do Sintep-MT, Guelda Andrade.
Num relato resumido, os direitos dos profissionais da educação têm sido constantemente atacados por meio de medidas como arrocho salarial , mudanças na jornada de trabalho, o fim da gestão democrática nas escolas, implementação da terceirização de funções educacionais, fim da paridade entre ativos e aposentados, além do anúncio recente, de realização de Concurso Público apenas para professores, excluindo os profissionais que fazem parte da carreira única no estado.
Considerado tão grave quanto todo o desmonte, é a tentativa de desconfigurar o papel dos profissionais da educação na formação dos estudantes, com a introdução de policiais militares em funções de gestão, e agora, até mesmo capacitados para aplicação de testes em estudantes, com o objetivo de gerar índices que atendam à propaganda oficial do governo.
Segundo Guelda também está entre as preocupações dos trabalhadores o abandono da qualidade educacional com a precarização dos serviços da nutrição escolar. O governo optou por anular a contratação de AAE/Nutrição (merendeiras). “Um desrespeito à função desses profissionais, que atualmente são responsáveis sozinhos pelo preparo e atendimento de mais de 250 estudantes”, destaca.
A dirigente chama a atenção ainda, ao processo de desumanização da educação que se intensifica desde a extinção dos cargos de AAE/Vigias, substituídos por câmeras de segurança. A decisão, mais uma vez, desrespeita a Lei Complementar 50/98 (Lei Orgânica dos Profissionais da Educação Básica de Mato Grosso) e desconsidera o papel fundamental desses profissionais na segurança e no ambiente escolar.
Conforme Guelda Andrade, “quando as máscaras caírem e a sociedade se conscientizar do que está sendo implementado no novo modelo educacional, ficará claro que os índices de aprovação não refletem a qualidade da educação, mas sim a produção de mão de obra barata, sem a formação de cidadãos críticos e preparados para a vida”, disse.
“O que a educação de Mato Grosso precisa é de compromisso genuíno com a valorização dos profissionais da educação, com a melhoria das condições de trabalho e, acima de tudo, com a construção de um ensino que prepare os alunos para a vida, com autonomia, reflexão e a capacidade de transformar a sociedade”, concluiu a dirigente do SIntep-MT