Sintep-MT cobra urgência na CPI do Feminicídio, um marco para o Agosto Lilás


Estado lidera ranking nacional de feminicídios e sindicato cobra agilidade da Assembleia Legislativa para elucidar responsabilidades e falhas nas políticas públicas do Estado.

Publicado: 27/08/2025 16:09 | Última modificação: 27/08/2025 16:09

Escrito por: Lina Obaid

Imagem criada por IA

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) considera urgente a instalação da CPI do Feminicídio pela Assembleia Legislativa do estado. Mato Grosso ocupa, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no vergonhoso ranking nacional de feminicídios.

Diante desse cenário, encaminhamento anunciado pelo governo à base aliada no Legislativo, nesta semana, é avaliado pelo sindicato como um ato de omissão frente às políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Dados dos oito primeiros meses de 2025, anunciados na mídia, registram no “Agosto Lilás” – mês de combate à violência contra as mulheres - índices alarmantes, com 35 mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros no estado, deixando filhos órfãos e famílias devastadas. No ano de 2024 foram 47 mortes por feminicídio no estado.

Apesar da gravidade da situação, há lentidão por parte dos parlamentares estaduais, que resistem à investigação. A postura é agravada pela interferência direta do governo estadual, que tem pressionado sua base aliada para enterrar a CPI.

Para Henrique Lopes a investigação apontaria políticas públicas importantes para inibir a violência.  O dirigente sindical é autor, enquanto parlamentar, de um projeto de lei para a implementação de delegacias das mulheres em todo o estado. Projeto esse engavetado na casa legislativa.

“A Assembleia deveria ser um espaço de independência, mas se comporta com dependência do Governo do Estado. A CPI já tinha o número necessário de assinaturas e, agora, por pressões políticas, tentam enterrá-la? Isso é um desrespeito com as mulheres assassinadas, com suas famílias e com a sociedade que clama por justiça”, criticou o dirigente.

Para o Sintep-MT, que atua na promoção da educação como ferramenta de transformação social e defende as escolas como espaços estratégicos no combate à violência de gênero, silenciar esse debate nas instituições públicas é compactuar com a barbárie.

“Negar a importância de se discutir questões de gênero é permitir que a cultura de violência continue enraizada. E, quando o governo sabota uma CPI que poderia detectar lacunas na “política pública”, implementa-las e salvar vidas, ele na prática escolhe a omissão frente a simbologia dos números das mulheres assassinadas vítimas de feminicídio”, afirmou Guelda Andrade, secretária de Políticas Educacionais do Sintep-MT.