Sintep-MT cobra do governo mais ações pedagógicas e menos espetacularização na educação
Expo Estudantil promovida pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) foi marcado por insatisfação entre alunos e professores da rede pública
Publicado: 28/08/2025 11:19 | Última modificação: 28/08/2025 11:19
Escrito por: Luiz Benitt

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) recebeu denúncias de educadores e estudantes sobre a Expo Estudantil 2025, promovida pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) em parceria com o Sebrae. O evento foi marcado por insatisfação entre alunos e professores da rede pública. Realizado durante dois dias (26 e 27), na Arena Pantanal, reuniu cerca de 50 mil estudantes, mas deixou a sensação de espetáculo vazio, mais voltado à promoção do governo Mauro Mendes do que à formação educacional.
A promessa era de uma feira de oportunidades para cursos e carreiras profissionalizantes, mas, na prática, os alunos foram retirados das salas de aula em plena reta final de preparação para as provas do terceiro bimestre e submetidos a longas horas de discursos institucionais e atividades de caráter duvidoso. Sem proposta pedagógica clara, o evento frustrou o público secundarista, que reclamou da falta de organização, do calor dentro do estádio e do pouco diálogo com a realidade da escola pública.
Entre os momentos mais criticados, segundo a professora Juliana Borges, mestre em Estudos Literários (UFPR), que atua na Escola Padre Wanir Delfino Cézar, foi a palestra do ex-jogador de basquete e hoje deputado federal Douglas Viegas (União Brasil-SP). O parlamentar, que também atua como influenciador digital, utilizou expressões de baixo calão e termos considerados chulos para se dirigir aos adolescentes. Além disso, seu discurso trouxe referências bíblicas em tom de pregação religiosa, o que desagradou parte da plateia e levantou questionamentos sobre o respeito ao caráter laico do Estado.
Juliana afirma ainda, que as críticas também recaíram sobre as atitudes do deputado e influenciador conhecido como Ninja, cuja postura foi apontada por estudantes como desrespeitosa e distante do cotidiano escolar. Para muitos, faltou escuta real às necessidades dos jovens e sobrou improviso em uma programação que deveria dialogar com o futuro educacional e profissional dos alunos.
Educadores reforçam que o tempo escolar é insubstituível e que retirar milhares de estudantes da sala de aula para um evento esvaziado de conteúdo pedagógico é um desserviço à educação pública. Num estado que ainda enfrenta problemas de evasão, infraestrutura precária e baixo investimento na valorização dos profissionais da educação, a Expo Estudantil 2025 terminou sendo vista mais como uma vitrine política do que como espaço de aprendizado.
Confira fala da professora mestre em estudos literários sobre o evento