Suspeita de desvio de recursos da educação de Cuiabá reacendem denúncias do Sintep-MT
Suspeitas de superfaturamento na compra de material didático durante a gestão de Amauri Monge na secretaria municipal de educação sinaliza novo alerta sobre contratos privados com a educação pública em Mato Grosso
Publicado: 28/05/2026 11:02 | Última modificação: 28/05/2026 11:02
Escrito por: Roseli Riechelmann
Suspeitas de superfaturamento na compra de material didático na gestão do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, divulgadas pela própria administração municipal, reacendem denúncias sobre o ex-secretário adjunto de Estado de Educação, Amauri Monge Fernandes. As denúncias feitas pela gestão municipal foram divulgadas ontem (27) e envolvem possível desvio de R$ 80 milhões. O personagem e o tema - material didático - já foram alvo de ações movidas pelo Sintep-MT (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), desde 2021.
Irregularidades em compras de material didático, já haviam sido alvo de questionamentos do Sintep-MT, quando Amauri Monge esteve na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso. Na ocasião, as denúncias encaminhadas pela entidade ao Ministério Público de Mato Grosso apontavam para a utilização de recursos da educação na aquisição de materiais didáticos de empresas privadas, em substituição aos livros fornecidos gratuitamente pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do Governo Federal.
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Conforme a secretária de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e dirigente do Sintep-MT, Guelda Andrade, não há justificativa para que o governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá adquiram livros didáticos de empresas privadas considerando que recebem gratuitamente materiais do Governo Federal.
“Os livros do PNLD foram rejeitados e substituídos por livros precários, com uma concepção pedagógica limitada, erros de ortografia e até produzidos por IA (Inteligência Artificial), como aponta essa denúncia feita na rede municipal. Isso já é jogar dinheiro público no ralo”, afirmou.
As acusações apontadas contra Amauri Monge, incluindo investigações no Ministério Público do Paraná, levam o Sintep-MT a questionar o porquê tanto o então governador Mauro Mendes quanto, posteriormente, o prefeito Abílio Brunini tenham confiado a gestão dos recursos públicos da educação a Amauri Monge.
“O dinheiro gasto duas vezes pelos gestores é o mesmo recurso que falta para assegurar aos profissionais da educação a atualização do piso salarial profissional e os passivos da RGA (Revisão Geral Anual)”, ressalta Guelda.
Até o momento, Amauri Monge não se pronunciou publicamente sobre as denúncias. O então secretário adjunto da educação estadual (2020 a 2025), assumiu a Secretaria Municipal de Educação da Capital em 2025, com aval de Brunini, pedindo exoneração em abril de 2026 para atuar na campanha do pré-candidato e ex-secretário de Estado de Educação, Alan Porto.
Para o Sintep-MT, diante das novas informações trazidas pela Prefeitura de Cuiabá e da denúncia já apresentada pelo sindicato em 2021, quem sabe agora há elementos para que o Ministério Público se manifeste.




