Sintep-MT soma luta com estudantes em protesto contra os cortes de verbas para a Educação
O total de cortes na educação brasileira nesse ano pelo governo federal já atinge a marca de 2,3 Bilhões de reais
Publicado: 19/10/2022 12:19 | Última modificação: 19/10/2022 12:19
Escrito por: Andressa Boa Sorte/Sintep-MT
O Sintep Mato Grosso se uniu aos estudantes de universidades federais e institutos federais de educação em um Ato Público nesta terça (18), em protesto ao sucateamento das instituições públicas de ensino superior do país, promovido pelo governo Bolsonaro. A manifestação em Cuiabá, fez parte de uma agenda nacional, onde estudantes e professores de mais de 100 cidades brasileiras também saíram às ruas para manifestar o repúdio aos cortes de verbas para a Educação.

A vice-presidente do Sintep-MT, Leliane Borges, participou do Ato e destacou a relevância da juventude engajada em busca de um ensino superior de qualidade. “O ataque desse governo é contra a educação em todas as esferas, seja a básica, seja no ensino superior. Nós estamos aqui para fazer o enfrentamento a esse governo fascista, homofóbico, misógino e que quer anular a educação pública e o acesso a ela para os mais pobres. Vocês, estudantes, são o nosso futuro. O Sintep-MT é o sindicato dos profissionais da educação, mas não existe educação sem vocês, estudantes, por isso é tão importante essa resistência que estamos juntos fazendo”, disse a sindicalista.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem e fizeram uma passeata, partindo da praça do restaurante universitário, dentro do campus da instituição, passando pela Avenida Parque do Barbado, na rotatória da UFMT, e subindo pela Avenida Fernando Corrêa.
Nos cartazes, eles pediram mais investimentos na educação e afirmações como “conhecimento destrói mitos” e "educação não é gasto, é investimento".
O diretor de políticas educacionais da União Estadual dos Estudantes (UEE), Leonardo Rondon, citou os cortes das verbas que deveriam ser destinadas à educação pública. “O Bolsonaro está dando um recado para a sociedade sobre como pretende tratar a educação nesse país, caso seja reeleito. Esses cortes vão sucatear o ensino, principalmente nas universidades e institutos federais, e nós estamos saindo às ruas em protesto para dar uma resposta à altura, para dizer que não aceitamos mais cortes e confisco de verbas para a Educação”, disse.
O estudante Emanuel Dominic, que é diretor da Associação Mato-grossense dos Estudantes (AME), também criticou o corte de verbas anunciado recentemente pelo governo federal. “Nós estamos nos organizando e lutando para que tenhamos dignidade ao estudar, ter condições de continuar estudando e com estrutura e ensino de qualidade. Em Várzea Grande, por exemplo, no Campus do IFMT, até hoje o prédio não foi concluído e por isso, nós estamos alocados em uma escola provisória. É triste ver como a educação pública vem sendo sucateada nos últimos anos”, disse.
A professora da Unemat, Campus de Sinop, Thielide Pavanelli, que também participou do protesto, citou os prejuízos do contingenciamento de recursos destinados ao Ensino Superior. “Não podemos aceitar os cortes de verbas que vem ocorrendo sistematicamente por esse governo. O salário dos professores do ensino superior está congelado há anos e agora, com esses bloqueios recentes, muitas pesquisas que estavam sendo desenvolvidas, não poderão ter continuidade”, lamentou.
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Cortes de Verbas pelo Governo Bolsonaro
Os ministérios da Educação, da Ciência, Tecnologia e Inovações e da Saúde foram as três pastas que mais sofreram com o corte feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no orçamento federal. O contingenciamento (bloqueio temporário de verba até que o governo decida se o corte será ou não definitivo) foi anunciado no final de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições, por meio do Decreto 11.216/2022.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, analisou as reprogramações orçamentárias feitas por meio do decreto. O total do contingenciamento promovido pelo Poder Executivo foi de R$ 10,5 bilhões.
Os cortes da educação atingiram em cheio as universidades: segundo a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), entidade que congrega os reitores e reitoras das universidades federais, o empenho agora de até 328,5 milhões de reais, se somado ao montante que já havia sido bloqueado ao longo do ano, perfaz um total de R$ 763 milhões em valores que foram retirados das universidades federais do orçamento que havia sido aprovado para este ano.
O ataque aos recursos da educação não foi somente direcionado às universidades. O total de cortes na educação brasileira nesse ano atinge a marca de 2,399 bilhões de reais (1,34 bi anunciado entre julho e agosto, e mais 1,059 bi de agora) e impactou todas as áreas do MEC (FNDE, universidades federais, institutos federais, CAPES).




