Sintep-MT registra denúncia de nova ação do governo para maquiar índices de aprendizagem


Para o sindicato, a recente instrução normativa facilita a aprovação de estudantes em recomposição da aprendizagem e pode elevar índices educacionais sem comprovar domínio dos conteúdos.

Publicado: 24/07/2026 11:53 | Última modificação: 24/07/2026 11:53

Escrito por: Roseli Riechelmann

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Professores da rede estadual denunciaram ao Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) alterou os critérios de avaliação dos estudantes em recomposição da aprendizagem por meio da Instrução Normativa nº 006/2026. Segundo os relatos encaminhados ao sindicato, as mudanças flexibilizam a correção das provas e podem elevar os índices de aprovação sem que isso represente, necessariamente, avanço na aprendizagem.

Para educadores ouvidos pelo Sintep-MT, a alteração reduz significativamente a exigência para aprovação e tende a elevar artificialmente os indicadores de desempenho da rede estadual. "É quase como se bastasse apenas assinar o nome", advertiu ironicamente o dirigente sindical, Edimilson José Ferreira, da regional Oeste II, polo Alto Paraguia/Cabaçal.

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Material informativo divulgando as alterações na forma de avaliar as provas que circulou nas redes sociais

A norma estabelece novos critérios para a correção das avaliações dos estudantes em recomposição da aprendizagem. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as provas passam a ter duas questões. Com apenas um acerto, o estudante obtém média 6,0 e é considerado apto à progressão escolar. Nos anos finais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), as avaliações terão cinco questões, sendo suficientes três respostas corretas para alcançar média 6,0, que também e a nota máxima para os que acertarem todas as questões.

Para os educadores a mudança altera a lógica da avaliação ao reduzir o percentual de acertos para aprovação. Para o Sintep-MT essa flexibilização pode elevar os indicadores de desempenho contudo não reflete o domínio dos conteúdos pelos estudantes

 

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Parte do conteúdo do IN nº 006/2026/GS/SEDUC/MT apresentando as novas formas de pontuação das provas

Uma professora da rede estadual, que preferiu não se identificar, afirma que a recomposição das aprendizagens exige uma análise que vá além dos indicadores oficiais. "Defender a aprendizagem dos estudantes implica analisar se as estratégias adotadas possuem coerência pedagógica, viabilidade metodológica e efetiva repercussão na consolidação dos conhecimentos”, disse.

O diretor regional do Sintep-MT, Edimilson José Ferreira, relata que recebeu o depoimento de uma professora de Matemática que, no ano passado, reprovou um estudante depois de errar as duas questões da avaliação. Apesar disso, segundo ela, esse aluno foi promovido posteriormente, sem qualquer explicação.

Conforme o dirigente, a lógica deixa de ser a aprendizagem essencial do estudante e passa a privilegiar resultados capazes de alimentar indicadores e rankings.

Em Rondonópolis, outro professor da rede estadual acredita que todas as recomposições tem sido utilizada para elevar artificialmente os indicadores educacionais.  "As recomposições de ausência e as de aprendizagem seguem uma lógica de simplesmente fazer o estudante avançar. Na recomposição de ausência, por exemplo, utiliza-se uma plataforma chamada Open for School. O aluno realiza a atividade, mesmo sem ter ido a aula, se dá uma nota e abona as faltas dele, e ele passa", disse indignado.

Diante o exposto o Sintep-MT volta a afirmar que infelizmente os indicadores divulgados pela Seduc-MT e propagandeados pelo governo como excelentes, não conseguem retratar a realidade das salas de aula. O sindicato afirma que a recomposição da aprendizagem é uma política necessária, mas sua efetividade depende de critérios que garantam a aprendizagem real dos estudantes e não apenas a maquiagem dos números educacionais.

*atualizada  14h44