Sintep-MT endossa carta sindical e convoca servidores às urnas contra desmonte serviço público


Os servidores públicos do Estado não serão massa de manobra e atuarão contra os desmandos do governo Mauro Mendes e o projeto de desmonte das políticas públicas e de desvalorização dos trabalhadores.

Publicado: 28/01/2026 09:51 | Última modificação: 28/01/2026 09:51

Escrito por: Luiz Benitt

Edevaldo José/Sintep-MT
Movimento Sindical Unificado denuncia, em manifesto, o abismo entre o discurso do governo e a realidade dos servidores estaduais.

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) assinou e endossou a carta aberta do movimento sindical direcionada ao povo mato-grossense, com um recado direto e sem rodeios aos prováveis candidatos a cargos eletivos neste ano.

A carta denuncia o abismo entre o governo exibido na propaganda oficial e a realidade vivida por quem sustenta o funcionamento do Estado. O “governo Mauro Mendes da TV” não é o mesmo enfrentado diariamente por servidores da saúde, educação, segurança pública, assistência social, Judiciário, fiscalização e demais áreas que atendem diretamente a população. Nos postos de saúde, hospitais, escolas e repartições públicas, a realidade é crua, nua e sem a maquiagem do marketing governamental.
O Palácio Paiaguás, atual endereço do governador, permanece de portas fechadas para o diálogo com o conjunto dos trabalhadores do serviço público. Não recebe — e nunca recebeu — uma representação legítima das categorias para tratar de suas reivindicações históricas.

Os números expõem o arrocho. Em 2021, salários, pensões e aposentadorias receberam apenas 2% de reposição, diante de uma inflação que chegou a 13,11%. A justificativa do governo foi o impedimento judicial. Já em 2022, com o IPCA de 10,06%, as perdas acumuladas alcançaram 24,49%, enquanto o governo concedeu apenas 7% de reposição, aprofundando o confisco salarial. Paradoxalmente, Mauro Mendes propagandeava aos quatro cantos do Estado uma suposta super arrecadação.
Segundo cálculos do Dieese, a inadimplência do governo com seus trabalhadores acumulou 19,58%, ao mesmo tempo em que a receita estadual cresceu cerca de 100%. “Isso não é austeridade, é calote”, denuncia o movimento sindical.

Para o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, a política do governo é deliberada e atinge o coração do serviço público.

Edevaldo José/Sintep-MT
O presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, e a vice, Maria Celma, participam ao lado da presidente da FESSP-MT, Carmem Machado.
 

“O governo Mauro Mendes escolheu governar contra os servidores. Enquanto vende uma imagem fictícia de eficiência, arrocha salários, desmonta políticas públicas e precariza os serviços oferecidos à população. Quem está na ponta, atendendo o povo, sabe que essa propaganda não se sustenta”, afirma.

A falta de concursos públicos agrava ainda mais a situação. Setores inteiros da administração estadual operam no limite, comprometendo a qualidade do atendimento aos cidadãos. Agora, o governo avança também sobre a organização sindical, ao apresentar projeto que interfere diretamente na autonomia das entidades, tentando limitar o número de reeleições de dirigentes sindicais — uma decisão que cabe exclusivamente aos trabalhadores e trabalhadoras.

Henrique Lopes avalia a iniciativa como uma tentativa clara de intimidação:

“Quando um governo tenta interferir na organização sindical, é porque tem medo da força coletiva dos trabalhadores. Não aceitaremos ataques à democracia sindical nem à nossa autonomia. Esse projeto é mais uma prova do autoritarismo e do desprezo pelo diálogo”.

Edevaldo José/Sintep-MT
Reunião coletiva aprova mensagem direta contra o desmonte do Estado e a desvalorização do serviço público.

Mesmo após a recomposição de 5,40%, concedida em janeiro, os servidores seguem com perdas expressivas e mantêm a luta pela recomposição de 18,38%, referente ao confisco acumulado nos últimos oito anos. A mobilização continuará nas ruas, nas bases e no debate público.

O movimento sindical deixa claro: os servidores públicos seguirão denunciando o descaso, defendendo seus direitos e atuando politicamente contra os projetos e candidaturas alinhadas a um governo que escolheu atacar quem trabalha e presta serviço à população de Mato Grosso