Sintep-MT denuncia impactos na aprendizagem, adoecimento profissional e ataques a jornada
Mais de 20 projetos escolares alteram rotina e geram sobrecarga nas escolas estaduais de MT
Publicado: 26/05/2026 10:40 | Última modificação: 26/05/2026 10:40
Escrito por: Roseli Riechelmann
Mais de 20 projetos e programas escolares dividem espaço com o conteúdo regular nas escolas estaduais de Mato Grosso, alterando a dinâmica do ensino nas salas de aula. Enquanto a Secretaria de Estado de Educação apresenta os programas como estratégias de apoio à aprendizagem, profissionais denunciam sobrecarga de trabalho e redução do tempo destinado aos conteúdos essenciais.
O cenário preocupa o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso, diante de relatos sobre o esvaziamento da formação básica dos estudantes. A presidenta em exercício do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira, reforça que a posição do sindicato se baseia na autonomia do coletivo escolar para definir seu projeto político-pedagógico e desenvolver projetos de acordo com suas demandas e necessidades.
Para a dirigente, a burocratização e o excesso de projetos, cursos, planilhas e planejamentos têm provocado cansaço físico e mental nos profissionais que atuam nas escolas. O resultado tem sido adoecimento, readaptações/readequações de trabalhadores da educação.

“Não é a quantidade de projetos que garante qualidade à educação. Mas pensar a escola do ponto de vista humano como espaço de formação, criativo, acolhedor para os estudantes, e não para atender índices, metas e resultados”, ressalta Maria Celma.
O também dirigente do Sintep-MT e professor da rede estadual, Gilmar Ferreira, afirma que a realidade das escolas hoje é de estudantes com grande defasagem de aprendizagem, muitos semialfabetizados e sem conseguir acompanhar as disciplinas.
Segundo ele, o excesso de projetos (Letramento, Aprender Valor, Finanças na Mochila, e tantos outros) atrapalha o processo de aprendizagem, sobrecarrega professores e alunos e compromete a sequência didática e pedagógica necessária para que os estudantes superem as dificuldades.

“Atualmente, a rede estadual não consegue fazer com que os estudantes avancem, mesmo com os programas de recuperação da aprendizagem. A quantidade de tarefas leva muitos a estacionarem ou até regredirem. Não temos um currículo que parta da realidade do aluno e de suas necessidades. O que existe é um currículo impositivo, que atende mais aos interesses financeiros dos convênios que a Seduc-MT firma com empresas, fundações e ONGs”, afirma Gilmar Soares Ferreira.
“Amplia-se a carga de trabalho dos profissionais e dos estudantes, sem ampliar o tempo de permanência do aluno na escola”, completa.
O excesso de demandas é constatado pelo envio de notificações das Diretorias Regionais de Ensino (DREs), que buscam ajustar as exigências ao tempo insuficiente dos professores, com alternativas de execução simultânea dos projetos, presencial e online. Documentos enviados às escolas reconhecem situações de sobreposição entre atividades formativas e sessões de estudo, o que resulta em novas planilhas de ajuste e cobranças por uma “melhor organização das unidades escolares”.




