Sintep-MT delibera estratégias de luta e destaca defasagem salarial na rede estadual


Reunião do Conselho de Representantes detalha defasagem salarial na rede estadual e aponta desafios como adoecimento da categoria, militarização e arrocho nos municípios.

Publicado: 25/05/2026 13:01 | Última modificação: 25/05/2026 13:01

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep-MT/ Francisco Alves
Participantes de várias regiões do estado deliberam no voto as pautas de enfrentamento para a qualidade da educação pública e valorização profissional

O Conselho de Representantes do Sintep-MT, realizado no último final de semana (23 e 24), evidenciou os desafios da categoria nas redes estadual e municipais. Enquanto os profissionais do estado enfrentam uma defasagem salarial superior a R$ 1 mil em relação ao Piso Nacional, os municípios lidam com cenários múltiplos e diversificados.

A presidente em exercício do sindicato, Maria Celma Oliveira, destacou entre os encaminhamentos deliberados a busca pela recomposição das perdas inflacionárias, o respeito à carreira, a realização de concurso público e a melhoria das condições de trabalho.

Sintep-MT/Francisco Alves
Reunião com a categoria é marcada pelo protagonismo feminino tendo na coordenação dos trabalhos a presidenta em exercício, Maria Celma

“Os profissionais estão se sentindo sobrecarregados com as exigências colocadas hoje dentro da escola, com projetos, metas e cobranças por índices e resultados impostos pelo governo. Isso tem levado ao adoecimento da categoria”, ressaltou.

A professora Rosilene de Almeida, de Primavera do Leste, ressaltou a importância do Conselho como espaço formativo e informativo. “A gente participa e volta com uma bagagem de conhecimento para repassar para os colegas sobre nossos direitos e deveres, o que fortalece a prática no chão da escola”, acredita.

Sintep-MT/Francisco Alves
Professora Rosilene participa das deliberações do Conselho de Representantes do Sintep-MT

Rosilene, que atua na área de Língua Portuguesa e tem 18 anos de magistério, destaca que a escola tem “massacrado” os profissionais com práticas de coação. “Atualmente, além do conteúdo da disciplina obrigatória, temos que trabalhar as plataformas e a recomposição de aprendizagem - que, antes era realizada pelo professor articulador. Tudo isso sob a pressão da Gratificação por Resultados, que retira percentuais dos salários caso precisemos faltar, até mesmo apresentando atestado”, relata.

Outro ponto deliberado foi o enfrentamento ao avanço da militarização nas escolas. “Nós do Sintep-MT somos contrários à forma de implantação da escola cívico-militar, que traz para as unidades uma série de profissionais de outra carreira. Eles acabam sendo pagos com os recursos da educação, que deveriam ser usados para valorizar os profissionais da carreira”, afirmou a presidente.

Redes Municipais

O cenário nos municípios é muito diversificado, mas há a predominância de prefeituras alinhadas à política meritocrática e privatista do governo estadual. Na prática, isso se traduz em arrocho salarial, ausência de negociação com a categoria, falta de concurso público e resistência na reformulação dos planos de carreira.

Rivânia, da subsede do SIntep-MT Araguaiana comemora o fortalecimento e conquistas da luta no município

Apesar dos desafios, a organização da base gera resultados. “É de fundamental importância participar, porque aqui a gente se apropria de todos os acontecimentos e repassa para os profissionais que não estiveram presentes”, afirma a dirigente de Araguaiana, Rivânia Maria dos Souza Martins.

A subsede de Araguaiana, recém-criada, já reflete os impactos da luta coletiva. Após mobilizações e encaminhamentos jurídicos, a categoria na rede municipal conquistou valorização salarial e outros direitos trabalhistas que eram negados. “O Sintep é uma força muito grande e a nossa subsede está bem fortalecida, inclusive com ampliação do quadro de sindicalizados”, conclui Rivânia.