Sintep-MT critica expansão das escolas cívico-militar em MT
A política educacional do governo de MT gera preocupação para o futuro da Educação e da formação dos estudantes
Publicado: 05/02/2026 12:43 | Última modificação: 05/02/2026 12:43
Escrito por: Roseli Riechelmann
O anúncio da ampliação de mais 66 escolas cívico-militares em Mato Grosso, prevista para 2026, acende um novo alerta do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) sobre a finalidade da educação pública. Para o presidente da entidade, Henrique Lopes, “é lamentável que a solução encontrada pelo Estado para combater a violência na escola seja transformar o espaço pedagógico em militar”.
Segundo o dirigente, a escola é espaço de profissionais da educação, formados na ciência de educar, e não de imposição de um modelo que carrega viés ideológico, restringe o debate e não apresenta qualquer benefício pedagógico ou avanço no desenvolvimento humano dos estudantes.

Disciplina
A transferência do papel educacional para militares é criticada por referências nacionais da área, como o educador Vitor Paro, que alerta para a contradição entre educação e lógica militar: “disciplina pedagógica não tem nada a ver com comportamento militar”.
Na prática, a disciplina punitivista tem gerado insatisfação entre pais e responsáveis, com relatos de punições por atrasos, estudantes impedidos de entrar em sala, expostos ao sol ou obrigados a realizar tarefas como castigo. “Isso é humilhação, não é disciplina pedagógica. Muitos vão criar ódio da escola e da educação”, relata uma mãe, indignada por não haver outra escola próxima de sua residência.
Desumanização
A mãe cita ainda a romantização, por parte de alguns pais, sobre a escola cívico-militar, como se os filhos saíssem mais humanizados e afetuosos. “Não saem. Eles são tratados como militares em quartéis, mas são crianças e adolescentes em formação. O uniforme é impecável, o cabelo padronizado, mas os problemas permanecem e as dificuldades no processo de ensino-aprendizagem continuam. Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”, como diz o ditado popular, cita.
Incoerência
Para o Sintep-MT, o governo deveria priorizar a educação integral, rever o redimensionamento e encerrar o fechamento de escolas, enquanto estudantes defendem a escola pública como espaço de escuta e pensamento crítico, hoje sufocado pela disciplina militar.
Para o presidente Henrique Lopes, a escola cívico-militar pode até aparentar mais segurança num primeiro momento, baseada no medo, mas isso não enfrenta a violência social e representa um desserviço ao Estado, num cenário em que quase um terço das escolas estaduais já adota esse modelo.
"Segurança baseada no medo não educa, não transforma e não protege a sociedade. Apenas desloca o problema e fragiliza a escola pública.", conclui Henrique Lopes.




