Sintep-MT aponta legado de retrocessos na educação ao fim da gestão Mauro Mendes


Sindicato avalia que políticas adotadas nos últimos sete anos desmontaram direitos, fecharam escolas e afetaram a qualidade do ensino

Publicado: 07/04/2026 11:33 | Última modificação: 07/04/2026 11:33

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep-MT/com charge Latuff

Encerrando sete anos de governo, a gestão Mauro Mendes deixa um saldo negativo para a educação pública de Mato Grosso, conforme avalia o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). Sob a justificativa de modernização, o período foi marcado por decisões que atacaram políticas consolidadas que impactaram diretamente a qualidade do ensino e a carreira dos profissionais da educação.

O fim da gestão democrática nas escolas é um dos casos mais significativos, destacados pelo presidente do Sintep-MT, licenciado no último 4 de abril para participar do pleito eleitoral, professor Henrique Lopes. Conforme Henrique, ao retirar da comunidade escolar o direito de participar das decisões, o governo rompeu com um princípio fundamental da educação pública, que é o da construção coletiva. No mesmo pacote está o fechamento de mais de 100 unidades escolares, reduzindo de 740 para 626 prédios da rede estadual.

A política de municipalização — chamada de redimensionamento — também entra nesse cenário de desmonte. “Ao transferir responsabilidades sem garantir as condições financeiras adequadas, o governo empurra para os municípios um peso que muitos não conseguem sustentar”, destaca o professor Henrique Lopes.

Sintep-MT
Presidente licenciado, professor Henrique Lopes, destaca o legado do governo Mauro Mendes na educação 

Desvalorização

Uma situação que, segundo relata o professor Henrique Lopes, comprometeu o atendimento educacional, inclusive para os professores, como foi o caso dos pedagogos do estado, que ficaram à deriva, sem aulas após o fechamento de turmas na rede estadual.

No resumo histórico de desmontes, soma-se ainda a interrupção de políticas de valorização salarial, que representam um duro golpe na carreira. No lugar, foi implementado um modelo meritocrático, baseado em metas e gratificações, que contribui ainda mais para o adoecimento da categoria. Um quadro que impacta na aposentadoria, também prejudicada pelo confisco de 14% sobre o rendimento, além do fim da paridade com os ativos. Um cenário de desvalorização generalizada.

A falta de respeito aos trabalhadores da educação é ainda maior quando os professores têm a autonomia pedagógica ameaçada. A liberdade de ensinar é reduzida, enquanto sistemas padronizados, baseados em apostilas de alto custo, substituem o uso de livros didáticos gratuitos e ditam como os educadores devem desempenhar seu trabalho.

Maquiagem

Para Henrique, muitas das políticas erráticas foram também graves para a educação pública, como as denúncias de manipulação de dados educacionais, com foco em tornar os índices educacionais positivos por meio da manipulação dos dados. “Quando a transparência é colocada em xeque, perde-se um dos principais instrumentos de avaliação e planejamento das políticas públicas”, destacou.

Do mesmo jeito, ressaltou Henrique, não podemos dizer que é acertada uma política que resolve fazer educação na base do coturno. “Militar tem uma outra função na sociedade e, se a gente precisa trazer a polícia para dentro da escola, tem coisa muito errada na sociedade e na própria visão de educação, até porque disciplina pedagógica é totalmente diferente de disciplina militar. Uma trabalha na lógica da padronização, do ‘sim, senhor’, ‘não, senhor’. A disciplina pedagógica visa o desenvolvimento diferenciado das pessoas, a necessidade de respeito às especificidades”, afirma.

Diante da saída do governador Mauro Mendes, a expectativa é de revisão de práticas, de prioridades e, principalmente, da forma como o Estado se relaciona com quem faz a educação acontecer todos os dias. “O governo não precisa gostar do sindicato, mas ele tem que respeitar, ele precisa entender que o sindicato é um órgão legal, constitucional de representação e que busca diálogo”, conclui.