Sintep-MT reafirma que falta de recomposição salarial é política, não orçamentária


A falta de valorização dos servidores do estado de Mato Grosso pode resultar em uma greve estadual

Publicado: 13/01/2026 16:51 | Última modificação: 13/01/2026 16:51

Escrito por: Roseli Riechelmann

Luiz Benitt
Em coletiva presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, e demais sindicalistas na defesa do cumprimento justo da recomposição salarial dos servidores estaduais

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes, voltou a afirmar que a ausência de recomposição salarial dos servidores de Mato Grosso se deve à falta de vontade política - e não orçamentária - do governo Mauro Mendes para quitar o débito salarial de 19,52% com os servidores do Estado.

O dirigente esteve presente na coletiva de imprensa convocada pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT), nesta terça-feira (13/01), às vésperas da convocação parlamentar, em 14/01, que votará o percentual da recomposição da Revisão Geral Anual (RGA), referente a 2025.

Conforme Henrique, o orçamento do Estado registra arrecadação de cerca de R$ 44 bilhões (2025), valor substancial para cumprir com o repasse dos débitos da RGA aos servidores. “Ao não negociar, o governo cria uma bola de neve que, em 2026, soma ainda os 4,26% de correção, resultado de anos em que não houve o pagamento integral da inflação e outros em que ela foi zerada pelo Estado. Esperamos que o governador Mauro Mendes não empurre as dívidas para o próximo governo”, afirmou.

A presidente da FESSP-MT, Carmem Machado, cobra a interlocução com o governo para negociar o débito de 19,52%, que, conforme estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), é viável sem comprometer o limites orçamentários com a folha de pagamento. “Estamos tentando buscar estratégias, entre as quais uma possível paralisação de todos os setores do Estado”, destacou. Conforme Carmem, o descontentamento com as perdas salariais durante as duas gestões de Mauro Mendes atinge não só os servidores do Executivo, mas também do Legislativo e do Judiciário.

Ainda durante a coletiva, vários dirigentes se pronunciaram. A integrante da  base do Sintema-MT e ex-deputada estadual, Sheila Klener, reforçou a fala do presidente do Sintep-MT ao destacar que o superávit de Mato Grosso superou, inclusive, o crescimento chinês, o que comprova o resultado do trabalho dos servidores públicos do Estado, que atuam nas diferentes áreas do governo e, ainda assim, estão colocados como inimigos. “São oito anos de perdas, de 100 mil trabalhadores que precisam ser valorizados”, disse.

O encontro foi concluído com a convocação para que os servidores participem, nesta quarta-feira (14/01), às 10 horas, da votação da RGA na Assembleia Legislativa. O objetivo é pressionar o governo e os parlamentares a apresentarem solução para o déficit na RGA.