Sintep denuncia cerceamento de fala e falta de debate em assembleia de militarização


Assembleia na EE José Leite de Moraes, em Várzea Grande é suspensa, após ato de violência que marcou desrespeito ao Sindicato e aos profissionais da educação, impactados com as mudanças na organização da escola e nas condições de trabalho.

Publicado: 02/06/2026 17:36 | Última modificação: 02/06/2026 17:36

Escrito por: Roseli Riechelmann

Foto Harleid Alves
Projeto Pedagógico bem sucedido da Escola Estadual José Leite de Moraes é colocado sob ameaça, diante de transferência para modelo cívico-militar

A assembleia realizada ontem (1/06) na Escola Estadual José Leite de Moraes, em Várzea Grande, para tratar da implantação do modelo cívico-militar, foi suspensa após episódio de violência contra representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). O tumulto teria começado quando um professor da rede estadual e dirigente do Sintep/Várzea Grande foi impedido de se manifestar durante a reunião e agredido por um participante favorável à militarização da escola.

O Sintep-MT ressalta que as assembleias para tratar do modelo têm sido marcadas pela falta de diálogo e espaço para o contraditório, servindo apenas para legitimar uma decisão já tomada pelo governo. Na EE José Leite foi destaque também apresentações sobre o projeto de escolas cívico-militares que teriam como pano de fundo propaganda extemporânea para o ex-secretário de Educação e pré-candidato ao parlamento estadual, Alan Porto.

Sintep-MT
Dirigente do Sintep-MT, professor Gilmar Soares, observa que o governo enfraqueceu o quadro de profissionais nas escolas estaduais ao mesmo tempo que ampliou a transferência de recursos da educação para militares da reserva

Para o dirigente sindical e professor Gilmar Soares, o ocorrido na EE José Leite representa mais um desrespeito aos profissionais da educação que são excluidos das votações, mas são diretamente impactados pelas mudanças na organização da escola e nas condições de trabalho. O dirigente reforçou a critica ao impedimento da participação dos trabalhadores e fez a defensa do sindicato de se posicionar sobre temas que afetam a categoria. 

Gilmar destacou a trajetória de sucesso  pedagógico da Escola José Leite de Moraes, que com quase 50 anos de atuação é reconhecida por desenvolver projetos nas áreas biologia/meio ambiente, esporte e, principalmente, música, com o coral Vésper formado por estudantes de várias etapas da escola, com premiações nacionais.

Arquivo/Sintep-MT
Apresentação do Coral Vésper e atividade de campo da aula de biologia com estudantes integram projetos de sucesso da EE José Leite

Profissionais da unidade também questionam a justificativa para a militarização. Segundo um professor, a escola, que registra 1.300 estudantes matrículados em três períodos, não possui histórico de ocorrências que justifique a presença de militares dentro da unidade. Para ele, episódios recentes que ganham repercussão na mídia estadual não justificam militarização, mas sim a necessidade de ampliar a equipe de profissionais do apoio educacional, que foram retirados do quadro de profissionais da escola, como o caso dos agentes de pátio.

O Sintep-MT sustenta que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) tem enfraquecido a estrutura das escolas ao não contratar profissionais para funções de apoio e manutenção. Na avaliação da entidade, a militarização aprofunda esse processo ao direcionar recursos da educação para o pagamento de militares da reserva.