Sem gestão democrática, consulta ao modelo cívico-militar é cortina de fumaça, diz Sintep-MT
Para o Sindicato, o fim da escolha direta de diretores e o enfraquecimento dos Conselhos Deliberativos Escolares esvaziaram o processo democrático nas escolas
Publicado: 05/03/2026 16:54 | Última modificação: 05/03/2026 16:54
Escrito por: Roseli Riechelmann
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) questiona o processo democrático das audiências que deliberaram todas as 170 unidades civico-militares na rede estadual de Mato Grosso, após consolidado um novo processo, em 2026, que ampliou o modelo em 64 escolas estaduais.
Conforme o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes, não há como falar em participação democrática nas audiências sobre o modelo cívico-militar porque a própria gestão democratica dentro das escolas públicas foi desmontada. “O fim da gestão democrática eliminou os mecanismos reais de decisão coletiva, tornando qualquer consulta uma formalidade sem base concreta de participação”, disse.
Para o dirigente, a retirada da eleição direta de diretores pela comunidade escolar e o enfraquecimento do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar romperam o principal instrumento de construção democrática dentro das unidades.
“Não existe mais gestão democrática. Esse é o ‘xis’ da questão. Quando a comunidade escolar (professores, funcionários, estudantes e pais/responsáveis) deixa de escolher seus gestores e perde protagonismo no conselho deliberativo escolar, acaba também a possibilidade de um debate democrático verdadeiro”, afirma o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes.
Segundo o dirigente, as audiências ocorrem em um cenário em que as decisões já estão previamente encaminhadas. “O que existe é uma tentativa de sustentar um discurso de transparência, mas sem garantir participação real”, ressalta.
Para o dirigente o argumento utilizado de que o modelo cívico-militar melhora a educação é temerário e controverso. “Se a educação não vai bem sendo conduzida por profissionais formados para essa atividade, será que quem não tem formação pedagógica resolverá o problema?”
A entidade alerta que a substituição da gestão democrática por modelos centralizadores abre caminho para outros processos de precarização da escola pública. “Quando não se investe adequadamente na escola pública, são criados subterfúgios para outras ações. A sociedade precisa se perguntar qual será o próximo passo”, ressalta o presidente.




