Resultados do Pisa 2025 expõem a realidade da educação em Mato Grosso


A avaliação internacional contrasta com indicadores divulgados pelo governo estadual e reacende críticas do Sintep-MT

Publicado: 25/09/2026 18:31 | Última modificação: 25/09/2026 18:31

Escrito por: Roseli Riechelmann

REPRODUÇÃO
Dados do Pisa colocam Mato Grosso na 23ª posição em qualidade da educação entre os estados brasileiros.

Os dados do PISA 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), divulgados em setembro de 2026, apontam desafios para a educação de Mato Grosso. Na comparação entre as unidades da Federação, o estado aparece entre os últimos colocados nos indicadores avaliados. O desempenho apresentado coloca em xeque os números divulgados pelo governo do estado, segundo os quais Mato Grosso estaria na 6ª posição no ranking nacional.

O PISA é uma avaliação internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que avalia conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em diferentes áreas. Na edição de 2025, Ciências foram o foco principal, enquanto Leitura e Matemática foram áreas secundárias.

Além de apontar desafios para a educação estadual, os resultados do PISA levantam questionamentos sobre os indicadores utilizados para avaliar a qualidade do ensino em Mato Grosso. O desempenho registrado na avaliação internacional contrasta com os resultados divulgados anteriormente pelo governo estadual, que apontavam o estado em posições mais favoráveis.

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Sintep-MT
Presidenta em exercício do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira

Para a presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Mato Grosso (Sintep-MT), Maria Celma Oliveira, os dados do PISA reforçam as denúncias feitas por profissionais da rede estadual sobre a distância entre os indicadores apresentados pelo governo e a realidade da aprendizagem nas salas de aula.

Segundo Celma Oliveira, os resultados também levantam questionamentos sobre a evolução do 22º lugar para o 6º lugar nos indicadores educacionais no estado. O fato é evidenciado, conforme a sindicalista, diante da ausência de políticas educacionais efetivas que considerem o tempo de aprendizagem e as diferentes realidades dos estudantes.

 

“A política do governo estadual não considera o projeto político-pedagógico das unidades escolares, as desigualdades sociais, intensifica a precarização das relações de trabalho, promove a ausência de profissionais de carreira e não valoriza os profissionais”, afirmou.

Para a dirigente sindical, os resultados do PISA demonstram que as medidas adotadas pelo governo estadual não foram suficientes para alterar a realidade educacional.

“Os dados do PISA demonstram que as ações que o governo está fazendo não alteram a realidade educacional e social. É uma política de propaganda porque não são ações de aprendizagem de fato. Se o aluno tivesse aprendido, ele teria saído melhor na avaliação externa”, declarou.