Regional Baixada Cuiabana elenca enfrentamentos das subsedes para o debate estadual
Diretor regional da Oeste 1 aponta enfrentamento ao autoritarismo nas escolas e a necessidade de assegurar mais representantes sindicais nas unidades
Publicado: 16/03/2026 17:29 | Última modificação: 16/03/2026 17:29
Escrito por: Lina Obaid
No próximo final de semana, dias 21 e 22 de março, o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) traz para o Encontro Estadual de Dirigentes de Subsedes, encaminhamentos sobre a organização sindical e a reorganização para os enfrentamentos das defesas da educação, dentro da atual realidade das escolas públicas.
No último final de semana, o diretor da regional Oeste I, Ricardo Assis, foi para a estrada para dialogar com a subsede de Chapada dos Guimarães, um dos nove municípios da regional Baixada Cuiabana, os desafios sindicais no município. Conforme o dirigente, os levantamentos feitos apontaram uma realidade cada vez mais evidente na luta sindical: a falta de disponibilidade, mesmo com disposição para o enfrentamento.
“Por mais que tenham disposição, os educadores que integram a luta sindical enfrentam uma série de desafios. O primeiro deles é estar em atividade nas escolas e com tempo restrito para fazer a luta. Outro cenário constatado é o aumento do quadro de adoecimento, que tem sido cada dia mais comum na escola, com essa nova realidade da educação — com jornadas ampliadas, cobranças por metas, salários achatados — e que impacta, é claro, os sindicalistas”, relata.
Essa realidade que é vivenciada em Chapada também é percebida em Nossa Senhora do Livramento e até mesmo em Poconé, base sindical de Ricardo Assis. Para o diretor regional, todos os encontros com a categoria são importantes para que as mudanças necessárias ocorram.
“O Sindicato se constrói no contato direto com a categoria. É preciso chegar até os trabalhadores e trabalhadoras da educação para dialogar, apresentar os avanços, apontar retrocessos e ampliar a visão da categoria com novas informações e, assim, ampliar a luta”, afirmou.
Dentro do diálogo trazido no Encontro estadual está o fortalecimento dos RUE — Representantes por Unidade Escolar. A função é primordial dentro da estrutura sindical, pois são esses trabalhadores que alimentam as lutas do Sindicato. Os RUE são os interlocutores entre o Sindicato e a escola, e vice-versa. “Sem esses representantes, o engajamento da categoria e a comunicação com o sindicato ficam limitados”, afirmou Ricardo Assis.
Conforme Ricardo, a escolha dos RUEs tem sido minada nas escolas diante de políticas autoritárias e antidemocráticas, atravessadas pelo excesso de atividades. “Os profissionais estão sobrecarregados, ao mesmo tempo que muitos gestores bloqueiam o acesso do sindicato para dialogar com o pessoal. Quando permitem, fazemos no intervalo, um tempo escasso e muitas vezes comprometido”, relata.
“A categoria precisa ter clareza do que tem perdido nos últimos anos por conta do projeto político instalado no Executivo e no Legislativo. Com as eleições de 2026 se aproximando, é necessário construir uma resposta política. Esperamos que o Encontro Estadual contribua para que a categoria retorne para a base com o entendimento de que este é um momento decisivo para debater um projeto voltado à educação pública em Mato Grosso”, concluiu.




