Reforma da Previdência e confisco das aposentadorias marcam debate no IX Encontro do Sintep-MT


Análise jurídica apontou perdas de direitos, precarização do trabalho e destacou a luta da CNTE e da CUT em defesa da educação pública e dos aposentados

Publicado: 24/01/2026 16:16 | Última modificação: 24/01/2026 16:16

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep-MT/ Francisco Alves
Com cartazes de protesto, aposentadas e aposentados cobram o fim do confisco

O IX Encontro dos/as Aposentados/as do Sintep-MT, realizado no sábado (24/01), iniciou os debates com uma análise dos impactos das políticas nacionais, como a Reforma da Previdência e o confisco das aposentadorias, sobre os salários e a qualidade de vida dos/as aposentados/as da educação. A exposição foi conduzida pelo assessor jurídico da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Eduardo Ferreira.

O assessor destacou os efeitos do pós-golpe de 2016, em especial a Emenda Constitucional nº 95, que instituiu o teto de gastos e comprometeu o investimento público e a valorização da educação. Segundo ele, o cenário foi agravado pela Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), aprovada no governo Bolsonaro, que trouxe prejuízos significativos aos profissionais da educação pública, como a redução do valor das aposentadorias, o aumento da alíquota previdenciária e a perda de direitos, afetando principalmente as professoras.

Sintep-MT/Francisco Alves
O assessor jurídico da CNTE, Eduardo Ferreira, faz um panorâma dos desafios da luta dos aposentados da educação do serviço público

Eduardo Ferreira também alertou para os riscos da Reforma Administrativa, por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 32 e de novas propostas em tramitação, que buscam flexibilizar a estabilidade no serviço público e ampliar a contratação temporária. Ele relacionou essas medidas à Reforma Trabalhista de 2017 e à terceirização irrestrita, que ampliaram a precarização das relações de trabalho, inclusive na educação pública de Mato Grosso, onde atualmente há mais trabalhadores interinos do que efetivos.

Segundo o assessor, a principal frente de luta da CNTE está na defesa do Plano Nacional de Educação (PNE), em debate no Senado Federal, que prevê a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, além de metas de valorização profissional e limites para contratos temporários nas redes públicas.

Sintep-MT/Francisco Alves
Representantes do segmento participam das atividades estadual, no Dia Nacional dos Aposentados

Sobre a pauta específica dos aposentados, Eduardo destacou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6254, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que questiona os confiscos previdenciários. Ele informou que já há maioria formada no STF para derrubar a cobrança de contribuição previdenciária abaixo do teto do INSS e as alíquotas extraordinárias, o que pode representar alívio financeiro para os aposentados, com expectativa de conclusão do julgamento ainda no primeiro semestre.

Por fim, reforçou que a CNTE e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) seguem mobilizadas no Congresso Nacional pela revogação da Reforma da Previdência e pela defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, tanto da ativa quanto aposentados/as.