Políticas educacionais de MT no pós-pandemia não asseguram inclusão, aponta pesquisa
O estudo integra a dissertação de mestrado do professor e dirigente do Sintep-MT, Gilmar Soares, sobre impactos das medidas do governo estadual para a educação inclusiva e o trabalho docente, na rede estadual, entre 2021 e 2025
Publicado: 11/09/2026 17:56 | Última modificação: 11/09/2026 17:56
Escrito por: Roseli Riechelmann
Uma pesquisa de mestrado profissional, publicada no início de setembro pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), analisa os impactos das reformas educacionais sobre a educação inclusiva e o trabalho docente na rede estadual de Mato Grosso, no período entre 2021 e 2025. O resultado aponta mudanças na organização do trabalho escolar e dificuldades para garantir, de forma efetiva, o direito à educação para todos.
A pesquisa, intitulada “A Educação Inclusiva entre as reformas educacionais e a organização do trabalho docente na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso pós-pandemia (2021–2025)”, foi desenvolvida pelo professor mestre Gilmar Soares, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), sob orientação do professor doutor Marion Machado Cunha, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Sinop.
O estudo apresenta os efeitos da adoção de práticas de caráter privatista na educação pública estadual e suas consequências para a educação inclusiva e para o trabalho dos profissionais da educação, especialmente no período pós-pandemia. A pesquisa contou com a contribuição de dados obtidos junto a trabalhadores da rede estadual, abrangendo 14 das 15 regiões do estado, com o objetivo de compreender os impactos dessas políticas no cotidiano escolar, no desenvolvimento profissional docente e na aprendizagem dos alunos.
Vivências
A trajetória de vida pessoal e profissional de Gilmar Soares integra a construção da pesquisa. Sua experiência como estudante em uma região rural de Mato Grosso do Sul e em uma escola pública de ensino médio no interior de Rondônia, sua participação em movimentos das Comunidades Eclesiais de Base, sua atuação como educador da rede estadual desde 1997 e como dirigente sindical estadual e nacional, na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), contribuíram para a análise crítica das políticas de educação inclusiva implementadas na rede pública de Mato Grosso.
“Os professores tiveram, nesse período, o aumento da demanda, ficaram sob controle permanente e responsabilização individual pelos resultados, somados à fragmentação do tempo pedagógico e à exigência de cumprimento de metas, que retiram da docência sua dimensão formativa. Uma realidade que, por si só, compromete o atendimento necessário aos estudantes”, destacou.
De acordo com Gilmar, as mudanças na organização das escolas, acompanhadas de cobranças por melhores indicadores e resultados, fizeram com que os processos de aprendizagem passassem a ser cada vez mais orientados pela produção de dados. “A escola passou a funcionar sob uma lógica em que os números ganham visibilidade, enquanto as dificuldades reais dos estudantes permanecem invisibilizadas”, afirmou.
Inclusão
Na educação inclusiva, a pesquisa aponta que políticas definidas externamente, pelo viés mercantil e orientado para resultados, reduziram a autonomia das escolas e contribuíram para uma inclusão mais formal do que efetiva na prática. Entre os principais obstáculos identificados estão a falta de profissionais, de recursos e de condições adequadas para garantir a aprendizagem dos estudantes com deficiência.
Para o pesquisador, existe uma distância entre o que as políticas educacionais estabelecem como princípio e aquilo que as escolas conseguem efetivamente realizar. Como consequência, a inclusão ocorre de maneira parcial e desigual, em meio às contradições das reformas educacionais de orientação neoliberal e da atuação do Estado.
“A escola pública, como espaço de direito e, de fato, de ensino e aprendizagem, é produto de lutas históricas. Por isso, a educação brasileira é campo de disputa e não pode ser compreendida apenas a partir de seus resultados formais. A luta para tornar a inclusão real exige considerar as condições concretas em que essas políticas são implementadas, bem como as experiências dos sujeitos que vivenciam o cotidiano escolar”, concluiu.
A pesquisa está disponível para consulta no aqui pelo nome do pesquisador: Gilmar Soares Ferreira.




