Mulheres de Mato Grosso reforçam as defesas da 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras
Delegação do Sintep-MT e CUT-MT íntegra ato em Brasília e retorna ao estado com agenda fortalecida contra o racismo, o feminicídio e pela garantia de políticas públicas.
Publicado: 26/11/2025 17:38 | Última modificação: 26/11/2025 17:38
Escrito por: Roseli Riechelmann
Cerca de 60 mulheres da delegação do Sintep-MT e CUT-MT participaram da 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, em Brasília, ontem (25/11), retornando fortalecidas para intensificar a luta por reparação em Mato Grosso.
Veterana da mobilização, Eliza Sotero de Oliveira, que esteve na primeira marcha em 2015, destacou o avanço organizativo e o espaço democrático da 2ª edição. Para ela, mesmo com poucos avanços nas políticas institucionais de reparação na última década, a participação das mulheres negras se mostra mais consciente e empoderada.

A estudante Fernanda Barbosa, de 14 anos, de Rondonópolis, relatou o impacto da experiência. “Foi muito importante para minha formação. Vi mulheres se impondo, mostrando quem são, dizendo não ao racismo e ao feminicídio, e pedindo reparação histórica. Já estou em ação e em busca da reparação”, afirmou.
A vice-presidente do Sintep-MT, María Celma Oliveirah, reforçou que a reparação buscada é indispensável em um país marcado por mais de 350 anos de escravidão e pela ausência de políticas de inclusão após a abolição. “Não houve acesso à moradia, terra ou emprego. A política de imigração deu condições aos europeus que não foram oferecidas aos africanos e seus descendentes”, destacou.
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Com uma trajetória marcada pelos efeitos do racismo estrutural e pela ausência de políticas públicas para negros e pobres, a merendeira Gildete Pereira reúne fundamentos suficientes para cobrar reparação. Discriminada desde a infância, nunca recuou e segue no enfrentamento diário — não apenas por ela, mas pelas inúmeras “Gildetes” presentes na sociedade. “Meus pais sempre valorizaram o estudo”, destaca, apontando o que lhe deu clareza sobre essa dívida social com o povo negro.
A reparação requer políticas de moradia, educação, inserção no mercado de trabalho e combate ao racismo estrutural. “Queremos acesso igualitário às políticas públicas, como todo cidadão brasileiro”, reforçou María Celma.
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A secretária de Políticas para Mulheres da CUT-MT e dirigente do Sintep-MT, Angelina de Oliveira, destacou o esforço coletivo da 2ª Marcha e a participação expressiva de jovens. Para ela, a desigualdade salarial e a violência que atinge com mais força a população negra evidenciam a urgência da reparação.
Pamila Nayna, representante do Sintuf-MT/CUT-MT, lembrou que as mulheres negras permanecem invisibilizadas nas políticas públicas e sub-representadas nos espaços de liderança. “Realizam grande parte dos serviços, mas não ocupam posições de comando. A marcha é um momento de luta para transformar essa realidade”, afirmou.
Realizada em 25 de novembro, a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver reuniu milhares de mulheres de mais de 30 países, em uma mobilização global contra o preconceito, a discriminação e todas as formas de violência.




