Mulheres da CUT-MT debatem participação política e reforçam luta por direitos no 8 de Março


Atividades reuniram mulheres de sindicatos e movimentos sociais em Cuiabá e destacaram o enfrentamento à violência de gênero e a defesa de direitos.

Publicado: 09/03/2026 18:33 | Última modificação: 09/03/2026 18:33

Escrito por: Roseli Riechelmann

Reprodução

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março e marco histórico da luta por direitos, foi reafirmado pelas mulheres cutistas de Mato Grosso, com uma roda de conversa temática “A importância das Mulheres na Política”, conduzida pela pesquisadora Priscila Stella, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizada no sábado (7/03), no espaço da CUT-MT. No domingo (8), as mobilizações continuaram com um Ato Público nas ruas da capital.

Compuseram a mesa de abertura do debate: Isabel Garcia de Farias Silva, do Movimento Negro Unificado – MNU, Zeni Salete Boff - SINDSEP-MT; Antonia Aparecida Oliveira Aguiar, secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT-MT e Sintep-MT; Ivone Lacerda Costa, do Sintep-MT, Regina Aguiar Ribas – SEEB-MT, e a vice-presidenta da CUT-MT e do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira.

A vice-presidenta da entidade fez a análise de conjuntura, abordando a realidade da violência contra as mulheres no Brasil e em Mato Grosso. O estado lidera os índices de feminicídio no país. Maria Celma destacou a ausência de políticas públicas efetivas para o enfrentamento da violência e alertou para o agravamento desse cenário diante de um contexto político conservador e reacionário, marcado também pela retirada do debate de gênero nas escolas.

Celma reforçou que não é possível falar em justiça social diante da violência sofrida pelas mulheres. “Diante desse cenário, torna-se ainda mais importante o enfrentamento contra todas as formas de violência, a defesa por direitos respeitados e nossa pauta pelo fim da escala 6 x 1, na qual as mulheres são as mais prejudicadas diante das duplas e triplas jornadas”, afirmou.

Maria Celma Oliveirah, vice presidenta da Cut-MT e do Sintep-MT.

Mulheres
No debate central, a pesquisadora Priscila Stella apresentou estudos e dados sobre gênero, política e raça, temas que integram suas pesquisas. Durante a exposição, destacou que todos os indivíduos são seres políticos e que é necessário compreender que, em diferentes espaços da sociedade, todos fazem política.

Ao abordar a relação entre gênero e política, a pesquisadora ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para se eleger, especialmente as mulheres negras, além do “escárnio” e das violências enfrentadas durante o exercício dos mandatos.

Priscila Stella, pesquisadora que trouxe dados sobr egênero.

“Não se trata apenas da política institucional, mas também do poder instituído que os homens exercem sobre as mulheres. É uma realidade da qual precisamos falar, porque são as mulheres que vivenciam isso”, destacou.

Classe Trabalhadora
Priscila apresentou a frase da sindicalista Rosana Silva, dirigente da CUT, que reforça que não haverá mudanças na classe trabalhadora sem mudanças na realidade das mulheres. A reflexão destaca a importância da valorização dos diferentes papéis desempenhados pelas mulheres — como mães, trabalhadoras e lideranças — na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A atividade foi encerrada com uma dinâmica simbólica com barbante, formando uma teia que representou a coletividade entre as mulheres e a importância da união para ampliar a presença feminina nos espaços de poder e na representação da população trabalhadora.

Mulheres, no debate do 8 de março.

A secretária de Mulheres da CUT-MT e dirigente do Sintep-MT, Angelina Oliveira Costa, destacou que “juntas e mobilizadas fazemos ecoar ainda mais forte a importância dessa data e da nossa representação nos diferentes postos de trabalho e na política no país”.

Confira aqui as fotos da palestra.

Mobilização nas ruas
No domingo (8), participaram de uma mobilização próxima a feira de rua, com mulheres jovens, negras, artistas e trabalhadoras do campo e da cidade de Cuiabá. O ato trouxe faixas e cartazes, e as vozes das mulheres na luta por direitos.