Modelo de educação pública em MT deixa estudantes para trás


Com menos escolas estaduais e creches insuficientes, as políticas de educação em Mato Grosso ampliam desigualdades na educação pública

Publicado: 28/04/2026 16:54 | Última modificação: 28/04/2026 16:54

Escrito por: Roseli Riechelmann

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No Dia da Educação, celebrado em 28 de abril, dados divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) expõem um cenário preocupante para a Educação Pública no estado. Um diagnóstico realizado pelo Sindicato à luz do Plano Nacional de Educação e compilado no livro Educação Básica em Mato Grosso (lançado em fevereiro no Congresso Estadual do Sintep-MT), mostra a redução do número de estudantes na rede estadual, diante de 18% a menos no número de matrículas e o fechamento de mais de 100 unidades escolares.

O quadro foi agravado com a política de redimensionamento do governo Mauro Mendes, que transferiu aos municípios todas as matrículas da primeira etapa do ensino fundamental (EF) Como consequência, a rede municipal estourou, diante de 24% a mais nas matrículas no EF, passando de 316.966 (2019) para 394.595 (2024), o que impactou negativamente o atendimento prioritário à educação infantil pelas prefeituras. Atualmente, de cada 10 crianças que buscam creches, apenas quatro conseguem vaga.

Para o dirigente sindical, pesquisador e professor da rede estadual Gilmar Soares, as medidas adotadas pelo governo estadual nos últimos sete anos - e replicadas na maioria dos municípios - resultaram em exclusão educacional. Segundo ele, mesmo com a amostragem entre 2019 a 2024, os resultados não foram alterados. Houve redução do acesso ao ensino noturno, à educação de jovens e adultos e retrocessos nas políticas de inclusão.

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Professor e dirigente do Sintep-MT, Gilmar Soares, apresenta dados resultado de pesquisas e estudos recentes

“É vergonhoso para Mato Grosso não assegurar as condições adequadas de uma educação inclusiva, diante dos problemas no atendimento da educação especial (crise das PAPES e pedagogas), da incipiente escola de tempo integral e do número de desistências de alunos no Ensino Médio”, afirma Gilmar que está em fase de conclusão de sua pesquisa para a dissertação de mestrado.

O professor também critica o modelo de ensino profissional técnico repassado ao Sistema S. De acordo com ele, a iniciativa não tem garantido resultados anunciados. Em 2025, turmas iniciadas com 30 alunos em 2023 formaram entre 8 e 10 estudantes.

Apesar da entrega de 40 novos prédios escolares, o equivalente a 6% da rede, e da ampliação ou reforma de outras 90 unidades (14%) - dados da Seduc-MT, a infraestrutura ainda é insuficiente. Nem mesmo as escolas novas atendem plenamente às exigências, em especial para ampliar a educação em tempo integral, que demanda espaços adequados para atividades pedagógicas, culturais, alimentação, higiene e descanso.

Para o Sintep-MT, o cenário no Dia da Educação reforça a necessidade de debate sobre o modelo adotado no estado e sobre quem, de fato, tem acesso garantido ao ensino público.

Dia da Educação

O Dia da Educação é celebrado em 28 de abril, em referência ao encerramento do Fórum Mundial de Educação realizado em 2000, em Dakar, Senegal. No evento, 164 países assumiram o compromisso de garantir educação básica inclusiva, equitativa e de qualidade, até 2030.