Militar desligado de escola expõe riscos do modelo cívico-militar na educação
Sintep-MT alerta sobre fragilidades e equívocos desde a seleção de militares para atuar nas escolas públicas, e reforça as preocupações com o modelo cívico-militar.
Publicado: 09/06/2026 12:16 | Última modificação: 09/06/2026 12:16
Escrito por: Roseli Riechelmann
Um militar que atuava como inspetor de estudantes em uma escola estadual cívico-militar no município de Campo Novo do Parecis foi desligado da unidade após ser preso em decorrência de um processo por estelionato. A ocorrência, registrada na semana passada no município, foi vista com preocupação pela subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), diante da situação de vulnerabilidade à qual o novo modelo de escola tem exposto os estudantes e toda a comunidade escolar.
Para o diretor regional do Sintep-MT, polo Médio Norte I, da qual o município de Campo Novo do Parecis faz parte, professor César Augusto Guedes, o caso envolvendo o militar tramita na Justiça há quatro anos, o que revela, também, a fragilidade do processo de seleção. “Deixar passar um candidato que responde a processo de estilonato, trabalhar com jovens estudantes, em uma função cujo objetivo seria “disciplinar” o ambiente escolar, é motivo de preocupação”, afirma.

Conforme denúncias recebidas pelo Sintep-MT, o modelo de escola cívico-militar tem imposto um ambiente marcado por contradições entre o discurso de disciplinar e as práticas adotadas no cotidiano escolar. A ampliação da presença de profissionais oriundos de instituições militares, sem nenhuma formação específica para atuar no ambiente educacional e exercendo influência direta sobre crianças e adolescentes, é mais um motivo de preocupação para os trabalhadores da educação.
A prática sujeita meninos e meninas suscetíveis a métodos e procedimentos adotados em ambiente de quartéis, predominantemente de adultos do sexo masculino. Diante disso, a realidade vivenciada está bem distante daquela imaginada pelas famílias. Os relatos vão de assédio moral e sexual à violência verbal contra os estudantes, tudo sob o aval de muitos gestores.
Em Cuiabá existe relatos de militar desligado da unidade escolar diante de suspeitas de assédio a estudante, por meio de mensagens e até presentes. Em Várzea Grande, há caso de pais que denunciaram violência verbal e psicológica por atrasos no horário de entrada, punição por esquecer material didático, entre outros.
Para o Professor Gilmar Soares Ferreira, professor na rede estadual e dirigente do Sintep-MT, que trata do tema em sua dissertação de mestrado, o caso relatado em Campo Novo é mais um de tantos divulgados e muitos ainda encobertos, que envolvem a “inovação” na contratação de pessoal para fazer a segurança nas escolas.
“Os agentes militares ou da reserva contratados, não estão preparados, em muitos casos, para lidar com os estudantes ou com o ambiente escolar”
O sindicalista reafirma que não haveria justificativas de contratação de força “militar”, caso o governo do estado contratasse em número suficiente de funcionários de escola com a devida formação profissional para a função.




