IA, mundo do trabalho e sindicalismo encerram painéis do XIX Congresso do Sintep-MT
Especialistas defendem soberania digital, formação crítica e fortalecimento sindical diante das transformações tecnológicas
Publicado: 22/02/2026 11:01 | Última modificação: 22/02/2026 11:01
Escrito por: Roseli Riechelmann
“O movimento sindical e a diversidade de forças frente aos desafios da IA e a nova formatação do mundo do trabalho” encerrou os painéis do XIX Congresso Estadual do Sintep-MT, no sábado (21), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. Participaram da mesa o professor doutor em Educação Daniel Figueiredo de Oliveira (UFPB) e a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva.
Ao refletir sobre as tendências tecnológicas - Inteligência Artificial (IA) - Daniel destacou que, embora as projeções apontem o desaparecimento de milhões de empregos em razão das transformações em curso, o fenômeno não é inédito na história, e ocorreu com o processo de industrialização. No entanto, alertou para uma nova forma de “colonização”.
“Além dos recursos naturais - exploração de meios de produção de energia, exploração ambiental de terras raras e busca de água para o resfriamento de gigantescos que consomem a água de maneira brutal, somos colonizados em nossos dados e em nossa atenção. Grandes corporações financiam lobistas e políticos que freiam qualquer tentativa de soberania digital”, afirmou.
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Narrativa
Segundo ele, o impacto da IA no trabalho será não apenas quantitativo, mas qualitativo, aprofundando desigualdades. “A automação concentra renda e poder em quem controla a infraestrutura tecnológica, amplia a precarização e, enquanto se fala em substituição humana, cresce o exército invisível que sustenta a IA.”
Para o professor, a narrativa da eficiência encobre uma redistribuição assimétrica do sofrimento, diante de menos estabilidade, mais controle, mais competição e menos proteção coletiva, o oposto da promessa libertadora anunciada.
Daniel citou relatório do Fórum Econômico Mundial que aponta a educação entre as profissões que podem desaparecer, mas ponderou que ocorrerá o contrário com maior demanda por educadores.
Pensamento crítico
“Nosso ofício não é apenas transmitir conteúdo, mas disputar sentido. Professores tornam-se guardiões da interpretação em um cenário em que plataformas capturam a atenção e transformam pensamento em aprendizagem métrica. Não se trata de negar tecnologias, mas de reescrevê-las em uma racionalidade crítica.”
Ele afirmou que a sala de aula, física ou virtual, é território de disputa. Defendeu o fortalecimento sindical diante da precarização e da uberização da educação. “Fortalecer sindicatos e coletivos docentes é reafirmar que educação não é mercadoria.”

CNTE
A presidenta da CNTE, Fátima Silva, reforçou a análise e afirmou que a marca dos educadores está nas memórias que os estudantes carregam por toda a vida. Ao citar apresentações culturais de estudantes, feitas durante o Congresso, destacou que “a produção da educação pública de Mato Grosso não cabe dentro de uma homeschool, da escola militarizada ou de espaços sem gestão democrática”.
Fátima afirmou que, diante de um cenário em que a IA tende a pasteurizar o conhecimento, é fundamental a unidade para enfrentar os desafios e compreender o contexto em que a categoria está inserida.
“Nossa inserção não é a de donos das Big Techs, mas a de quem é transportador de conhecimentos. Só saberemos lutar e trabalhar com a IA se entendermos esse contexto”.
A dirigente nacional ressaltou a importância da organização dos educadores, destacou a estrutura de luta a partir dos municípios – subsedes sindicais, até as entidades dos trabalhadores estruturada em rede nacional (CNTE, CUT) e internacional (IEAL e IE) enquanto classe trabalhadora. “É a nossa organização que fará a defesa da educação pública, contra a mercantilização da educação e pela valorização da sua gente com a educação humanizadora”, destacou.




