Governo Mauro Mendes confirma um calote superior a 18% no salário dos servidores


O anúncio da RGA de 5,4% confirma desprezo e o empobrecimento dos servidores públicos, em especial os da educação.

Publicado: 22/01/2026 12:27 | Última modificação: 22/01/2026 12:27

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep-MT/ Francisco Alves
Anúncio de calote de 18% da RGA revolta servidores públicos na galeria do plenário Renê Barbour, na ALMT

O anúncio da Revisão Geral Anual (RGA), na tarde de quarta-feira (21), decepcionou mais uma vez os servidores do Estado, falaciosamente anunciado como ganho. Para o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), a medida confirma o perfil de mal pagador e o desprezo do governador Mauro Mendes com os servidores públicos de Mato Grosso.

O presidente do Sintep-MT, professor Henrique Lopes, fez o alerta sobre a encenação criada, tentou maquiar a real situação dos servidores públicos: o achatamento de 18,38% nos salários. “O governador diz que não quer deixar dívida para a próxima gestão, no entanto, deixa uma dívida de mais de 18% para os servidores”, destacou.

Sintep-MT
Henrique Lopes, do Sintep-MT, destaca o descaso do governo com os servidores públicos, após anúncio de 5,4% da RGA

Os 5,40% de recomposição inflacionária não repõem as perdas históricas dos servidores que ajudaram o Estado a crescer, registrando mais de 200% na arrecadação, nos últimos em sete anos. “O governo Mauro Mendes empobreceu os trabalhadores do Estado ao dar o calote na dívida, agora em mais de 18%”.

“Mato Grosso registra um ‘boom’ de arrecadação, a exemplo do que foi 2025 e até mesmo nas previsões para 2026, com um volume superior a R$ 40,7 bilhões no caixa estadual. A história do congelamento de imposto do governo Bolsonaro caiu por terra, com a legislação de 12 de janeiro (LC 226/2026). Não estamos diante de problema jurídico, tampouco financeiro. Nós estamos diante das prioridades e escolhas do governo do Estado, e essas, não são valorizar os servidores”, destacou.

Sintep-MT/Francisco Alves
Revolta e frustração marcam servidores do Estado diante do calote da RGA; não terá perdão!

Educação

O dirigente do Sintep-MT ressalta ainda que, nos sete anos de governo, a categoria mais prejudicada foi a dos trabalhadores da educação. Para além de somar toda essa perda da Revisão Geral Anual, houve ainda o cancelamento da Lei Complementar 510/2013, que faria a recomposição de outras perdas históricas e daria ganho real aos salários dos educadores. “É vergonhoso comparar o que ganha um professor aqui no Estado de Mato Grosso com o vizinho Mato Grosso do Sul, que é menor do que o nosso em arrecadação”, disse.

O Sindicato destaca o descaso com os trabalhadores da educação, que, além da perda da LC 510, sofrem com reposição por meio de migalhas, através da política da meritocracia, que é a gratificação por resultado; ‘uma política de descompromisso com a educação”, afirma Henrique.

Segundo o presidente, os sete anos de governo registraram perdas para todos os servidores públicos, contudo, os educadores foram os que mais sofreram, pois além de estarem entre os menores salários das carreiras do executivo, também somam o aumento previdenciário, a taxação das aposentadorias; “ou seja, um governo que despreza aqueles e aquelas que ajudam o Estado a crescer”, conclui.