Estudo do Sintep-MT detalha defasagem salarial e mostra rombo na carreira da educação em MT


Enquanto em 2019 o salário estadual superava o nacional em R$ 342, hoje a defasagem na base da categoria chega a R$ 1.260 ao mês.

Publicado: 03/06/2026 18:01 | Última modificação: 03/06/2026 18:01

Escrito por: Roseli Riechelmann

Imagem criada por IA/Sintep-MT

As perdas salariais dos profissionais da educação de Mato Grosso atingiram uma defasagem histórica. De acordo com um estudo realizado por Henrique Lopes, presidente licenciado do Sintep-MT (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), o salário inicial da categoria apresenta hoje uma redução de R$ 1.260,00 mensais em comparação ao Piso Nacional. Esses números comprovam que o arrocho salarial dos servidores da rede estadual já chega a 32,67%.

Os dados apresentados estabelecem um comparativo entre 2009, primeiro ano de vigência da Lei do Piso Nacional, e a evolução do salário inicial em Mato Grosso. Historicamente, os valores pagos pelo Estado sempre foram superiores ao piso nacional, cenário que se reverteu a partir da gestão do governador Mauro Mendes. Conforme aponta o levantamento, enquanto em 2019 o valor praticado em Mato Grosso era R$ 342,00 superior ao nacional, sete anos depois a realidade é oposta, acumulando uma desvalorização de R$ 1.260,00 na base da carreira do magistério.

Tabela comparativa comprova as perdas salariais dos profissionais da educação estadual de Mato Grosso

Para Henrique Lopes, responsável pelo estudo, essa situação nunca foi motivada pela falta de recursos. O dirigente argumenta que o Estado gerou economia durante a pandemia com o fechamento das escolas e a suspensão de serviços como transporte e alimentação escolar. Além disso, a arrecadação estadual registrou superávits que se mantêm até hoje.

Segundo Lopes, as receitas disponibilizadas em 2026 para a manutenção e o desenvolvimento do ensino ultrapassam os R$ 5 bilhões, montante considerado por ele plenamente suficiente para assegurar a recomposição salarial dos profissionais.

Henrique Lopes apresenta estudo sobre queda do poder de compra dos salários na Educação de MT nos últimos cinco anos

Ao analisar a defasagem salarial coletiva dos servidores do Executivo, o presidente licenciado destaca que, embora o governo estadual possa legalmente gastar até o limite máximo de 49% da Receita Corrente Líquida (RCL) com pessoal, atualmente investe pouco mais de 36%. “Portanto, não estamos diante de uma dificuldade financeira do Estado”, afirma.

Diante desse cenário, o dirigente conclui que o verdadeiro problema da atual gestão reside na definição de prioridades. “Falta vontade política. Dinheiro tem de sobra, inclusive para o Parque dos Milionários, mas não tem para recompor o salário dos servidores.”