Estudantes marcam presença em Conselho de Representantes e fortalecem a luta do Sintep-MT


A vivência contribuiu para que as alunas pudessem conhecer o trabalho de luta coletiva do sindicato, e compreender o cenário por trás da realidade dentro da escola.

Publicado: 28/05/2026 15:45 | Última modificação: 28/05/2026 15:45

Escrito por: Lina Obaid

Sintep-MT/Francisco Alves
À esquerda, professora Cleonice, junto das estudantes de Nortelândia que acompanharam os movimentos do Sintep-MT de perto.

Um projeto criado pela subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) em Nortelândia - que integra estudantes da rede pública à realidade de luta dos profissionais, levou três estudantes para participar do Conselho de Representantes da entidade e do ato unificado nesta semana.

A presidenta da subsede do Sintep-MT em Nortelândia, Cleonice Maria Gomes, explica que o projeto surgiu da necessidade que os estudantes da rede pública compreendam mais de perto a realidade de professores e funcionários e construam um pensamento crítico com relação ao panorama da educação pública no estado, no qual eles também estão incluídos e são tão prejudicados quanto nós trabalhadores.

“É preciso que eles compreendam o lado da angústia, daquilo que a gente busca, o porquê que a gente vem aqui, o porquê que a gente briga, paralisa, o porquê fazemos greve e todo o cenário político por trás dos atos e movimentos de luta e resistência dos profissionais da educação, por meio do Sindicato”, explicou a dirigente.

Ana Júlia Jesus Martins, de 17 anos, explica que acompanhar o Conselho de Representantes – pela primeira vez – despertou nela o senso de pertencimento junto aos professores e funcionários da escola.

“Eu decidi participar desse movimento [o Conselho] porque tive o discernimento de que é um movimento muito especial e importante par todos que trabalham na escola. É de suma importância esse tipo de evento, onde se discutem as pautas importantes para a educação, porque se os professores, que são servidores ficarem calados e não correrem atrás de seus direitos, vai continuar a mesma coisa, o governador não vai fazer nada, não vai agregar, não vai solucionar os problemas que eles estão enfrentando diariamente”, destacou.

Ao centro da imagem, as 3 estudantes, atentas à dinâmica da direção do Sintep-MT, durante o Conselho de Representantes. 

A percepção da realidade do chão da escola e as pressões do governo também são percebidas quando a estudante cita o Grêmio Estudantil como mais uma extensão do governo, comandada pela Seduc. “Dentro da escola o Grêmio não tem poder nenhum. Pode falar, pode ter reunião de Grêmio com o Estado todo, mas se eles não dão autonomia nem para o aluno, imagine para o professor falar”.

Já a Mariana Kélvia do Nascimento da Silva, levantou a consciência sobre a pauta da militarização escolar, onde expressa sua indignação.

“Eu já estudei numa escola militar, e hoje que estou em escola comum percebo que não existe diferença entre os dois modelos. Então, acho E acho esta inclusão dos militares nas escolas muito injusta [com os educadores], porque a única coisa que eles [militares] fazem na escola é se apresentar para os professores e cuidar do pátio. E ganham bem mais do que o professor, que estudou e se preparou pra lecionar”, enfatizou.

Outro ponto importante levantado pela estudante é sobre o adoecimento de docentes e demais profissionais.

“A minha mãe é professora e eu vi ela ficar doente, com complicações na cabeça, dando aula no estado e no município, então eu sei exatamente como os professores da rede pública sofrem diante das pressões e condições indignas de trabalho que o governo impõe”, explicou.
O apostilamento e excesso de conteúdos ‘paralelos’ à grade curricular também são percebidos nitidamente no ambi3ente escolar, conforme explica a estudante Rainara Paulina Rotalima Marques.

“Nós estamos ficando sobrecarregados também de tanta plataforma, às vezes eles [Seduc] mandam um monte de conteúdo e a gente não consegue acompanhar, porque demora até a gente entender, e infelizmente, o professor tem que seguir isso que não agrega em nada, pelo contrário, é tanta coisa a gente fazer, para a gente fazer que não conseguimos nem estudar para provas mais, e principalmente pro Enem que é uma prova importante pra nós do ensino médio”, pontuou.