Estudantes e profissionais colocados sobre condições degradantes num calor de mais de 40ºC


A situação caótica da reforma na EE Mariana Luiza Moreira, em Cuiabá, retrata o tipo de educação pública ofertada no governo Mauro Mendes

Publicado: 23/09/2022 19:13 | Última modificação: 23/09/2022 19:13

Escrito por: Roseli Riechelmann

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No intervalo de aula os estudantes correm para o pátio e se acumulam nos corredores. Além do calor convivem com falta de espaço

Há dois meses em reforma, a Escola Estadual Mariana Luiza Moreira, no bairro Tijucal, em Cuiabá, vivencia o caos. São em média 30 estudantes por sala, cada uma com aproximadamente 35 metros quadrados, sem ventiladores e com condicionadores de ar trabalhando de forma improvisada. A rede elétrica atual não comporta a capacidade necessária. Na última semana, Cuiabá registrou média de 40° C e a sensação térmica na unidade ultrapassou as condições suportáveis.

“A situação está insustentável. Precisamos sair daqui, o local arrumado ainda não está pronto, e aqui está o caos. O rapaz da rede elétrica esteve três vezes na escola na última semana, mas a solução é trocar. A construtora, que retirou os ventiladores, disse que para consertar a elétrica é preciso tirar o telhado, mas com os estudantes dentro fica inviável”, relata a professora integrante do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCE), Maria Elma.

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Laboratório de Informática é unica sala com refrigeração, mas estudantes tem que dispuitar espaço com material armazenado

Estudante do 1º ano do ensino médio e diretor de imprensa/comunicação do Grêmio da escola, Eduardo Rodrigues Ribeiro, 16 anos, manifestou a indignação dos estudantes com as condições dadas para os estudos. "Tá bem complicado, é um transtorno, os alunos ficam estressados nas salas quentes e só piora com o clima de Cuiabá, do lado de fora”, diz.  Conforme ele, o Grêmio já cobrou o conserto dos ares, mas na condição da escola fica inviável. “Tivemos a informação de que estão arrumando um outro espaço, mas estão procurando desde de que voltamos das férias e enquanto isso a escola passa por obras com a gente confinado aqui dentro nesse calor”, disse.  

Caos

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Estudantes buscam a área externa para conseugir reduzir o calor

O estudante questionou ainda como ter bom desempenho com esse tipo de situação. O descaso do governo com a condição desses estudantes registra o aumento das perdas de aprendizagem, que já carregam após dois anos de pandemia. “Estamos com falta de espaço para as aulas e, é ainda pior, sem local para estudo ou pesquisas, como laboratório de informática, ciência. Atualmente o laboratório de informática está sendo usado como sala de aula”, destaca.

Para a funcionária da escola, Maria, houve falta de planejamento pela Secretaria de Estado de Educação. Com a retirada dos ventiladores e problemas no ar condicionado, os alunos são trazidos para o pátio, o que atrapalha o trabalho das servidoras do apoio. Segundo informações, cerca de três turmas tiveram aulas no pátio simultaneamente, por não suportar o calor nas salas.

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Aparelhos de ar condicionado não suportam a capacidade exigida para refrigerar as salas 

A estudante de 13 anos, *Luana, conta que passou mal na escola, com dores de cabeça e falta de ar. “Não fui pra casa porque meus pais não estão em casa e a escola não libera sem autorização”, relata. A falta de condição das salas faz com que os professores fiquem remanejando os estudantes de local, em busca de condições térmicas menos insuportáveis. 

A comunidade escolar não questiona a necessidade da reforma. A escola foi fundada junto com a criação do bairro Tijucal, em 1983, numa área de cerca de 2 mil metros quadrados, e nunca sofreu uma grande reforma. O problema é que o governo decidiu iniciar a obra, sem outro local para acomodar os estudantes e profissionais. 

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Há dois meses estudantes convivem com a reforma no espaço escolar

Improviso 

Conforme os relatos dos educadores, não era nem para ter voltado às aulas no segundo semestre. Quando retomaram as atividades a empresa já tinha arrancado a fiação elétrica. Mas a locação não estava concluída, então tiveram que voltar a fiação antiga. No improviso, aguardam a finalização de documentação dos imóveis a serem locados.

“Estamos acelerando ao máximo a locação para transferir os estudantes. Devido ao número de alunos teremos que dividir as turmas em dois prédios, e agora aguardamos a entrega da documentação exigida para a locação”, relata a presidente do CDCE, Eliane Pereira de Oliveira. 
*nome fictício 

Confira o vídeo que mostra a realidade da escola