Escolas estaduais registram atraso em repasse para manutenção e funcionamento


Unidades relatam ao Sindicato comprometimento com a compra de materiais básico, pagamento de credores devido ao atraso em repasses pela Seduc-MT.

Publicado: 24/09/2026 18:17 | Última modificação: 24/09/2026 18:17

Escrito por: Roseli Riechelmann

REPRODUÇÃO

A falta de recursos para manutenção e funcionamento das escolas estaduais de Mato Grosso começa a comprometer serviços básicos nas unidades. O problema veio a público durante um ato realizado na quarta-feira (23), em Cuiabá, após uma professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), de Rondonópolis, denunciar a falta de dinheiro até mesmo para a compra de papel utilizado na elaboração de provas.

A situação, segundo o sindicato, não se restringe a uma única unidade. Após a denúncia, outras escolas passaram a relatar dificuldades relacionadas à falta de recursos para manutenção, compra de materiais e pagamento de fornecedores.

Em Cuiabá, uma escola recém-inaugurada apresentou problemas no abastecimento de água no início de setembro. A situação, além de afetar o funcionamento da unidade, revelou dificuldades para custear o conserto da bomba d’água.

Quase 20 dias depois, o problema no abastecimento de água teria sido remediado. No entanto, outros serviços permanecem pendentes. A limpeza do esgoto e a troca de lâmpadas, por exemplo, continuam suspensas, segundo informações repassadas ao sindicato, devido à falta de recursos para a execução dos serviços.

Sem previsão

Em Primavera do Leste, a situação também preocupa a direção do Sintep-MT. Segundo a presidente da subsede, Marileuza Rosa, as escolas estaduais enfrentam dificuldades para realizar serviços de manutenção e pagar fornecedores.

Conforme informações repassadas à dirigente, o terceiro dos quatro repasses previstos pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) para as escolas não foi realizado em agosto. Até o momento, segundo ela, não há previsão para a liberação do recurso.

O sistema de repasse automatizado, divulgado pela atual gestão estadual como uma forma de ampliar a autonomia dos diretores para administrar despesas cotidianas, manutenção e demandas pedagógicas, enfrenta dificuldades, de acordo com os relatos que chegaram ao sindicato.

Em Primavera do Leste, a falta de recursos estaria afetando desde a compra de materiais básicos até a realização de serviços essenciais para o funcionamento das unidades. Entre os itens citados estão materiais de papelaria, produtos para a cozinha, gás, internet, produtos de limpeza e material esportivo, adquiridos com o recurso único.

“O atraso do repasse em agosto extrapolou a previsão financeira das escolas, que estão trabalhando no vermelho, sem recursos, dependendo dos fornecedores para atender às unidades e esperar o pagamento posteriormente”, relata a dirigente.