Escola do Campo em Mirassol d'Oeste não fechou graças a mobilização da comunidade


Mobilização impediu a transferência de estudantes para a área urbana, a Escola Zumbi dos Palmares permanece como direito à educação no campo.

Publicado: 30/07/2026 17:01 | Última modificação: 30/07/2026 17:01

Escrito por: Roseli Riechelmann

Reprodução/Arquivo MST
Reunião da Comunidade da Escola Zumbi dos Palmares

A comunidade do Assentamento Margarida Alves, em Mirassol d'Oeste (288 km oeste de Cuiabá-MT), conquistou uma importante vitória ao impedir o fechamento da Escola Municipal Zumbi dos Palmares. A mobilização dos moradores teve o apoio direto da subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), no município. A resiliência garantiu o funcionamento da escola, que atende cerca de 80 estudantes das 146 famílias assentadas, além de crianças e adolescentes de comunidades vizinhas.

Construída com mão de obra e até recursos dos próprios moradores, a escola é um patrimônio da comunidade que tem assegurado o direito das crianças e dos jovens de estudarem próximos de suas famílias, fortalecendo os vínculos comunitários e a permanência das famílias no campo. Atualmente, a unidade oferece atendimento da Educação Infantil ao Ensino Médio, com salas anexas de uma escola estadual.

Para a presidente do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira, a permanência da Escola Zumbi dos Palmares representa uma vitória que ultrapassa os limites do assentamento. O caso reafirma que o direito à educação não se resume ao acesso à matrícula, mas inclui a garantia de escolas próximas das comunidades, capazes de preservar vínculos sociais, fortalecer a educação do campo e assegurar condições dignas de aprendizagem.

Reprodução/Arquivo MST
Escola Municipal Zumbi dos Palmares no assentamento Margarida Alves, em Mirassol d'Oeste

Ao longo dos anos, porém, a falta de manutenção por parte da Prefeitura de Mirassol d'Oeste comprometeu a estrutura física do prédio. Em vez de promover a recuperação da unidade, a administração municipal apresentou como alternativa o fechamento da escola e a transferência dos estudantes para outras unidades.

O presidente da subsede do Sintep-MT, em Mirassol d’Oeste, Oziel Leite, lembra que o objetivo da prefeitura era reforçar a política de nucleação escolar, que concentra estudantes nas áreas urbanas e amplia a dependência do transporte escolar. “Na prática, essa política fortalece a "rodoviarização" da educação, fazendo com que os estudantes do campo passem horas em ônibus para conseguir estudar”, disse.

No caso da Escola Zumbi dos Palmares, os estudantes seriam transferidos para unidades localizadas a cerca de 20 a 60 quilômetros de distância. Medida que prejudicaria os laços comunitários e favorece os riscos de evasão escolar.

Gelson Miranda, pequeno agricultor e integrante da associação no assentamento, fez a luta em defesa da escola. Segundo ele, a unidade nasceu do esforço coletivo da comunidade justamente para garantir que as crianças pudessem estudar perto de casa.

"Quando acontece qualquer problema, os pais conseguem chegar rapidamente à escola. É muito difícil imaginar uma criança de três ou quatro anos entrando em um ônibus para percorrer dezenas de quilômetros até estudar em outra cidade", afirmou.

Uma das integrantes da coordenação de Educação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), De Silva, destaca a resistência da comunidade, e o apoio de entidades parceiras e de parlamentares que destinaram R$ 2 milhões em emendas para a reforma da unidade. “A escola passou por sucessivos períodos de abandono por parte do poder público municipal”, ressaltou.