Entidades sindicais pressionam por solução para a crise dos consignados no estado


Representantes dos servidores cobram encaminhamentos para revisão de contratos e reparação de danos causados pelo esquema investigado pelo Ministério Público

Publicado: 23/06/2026 11:56 | Última modificação: 23/06/2026 11:56

Escrito por: Roseli Riechelmann

Agência Brasil

Uma nova reunião entre a assessoria jurídica AFG&Taques, que representa cinco sindicatos de servidores públicos de Mato Grosso no caso da fraude dos empréstimos consignados, e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi realizada ontem (22). O encontro buscou esclarecimentos sobre o atual cenário da ação civil envolvendo contratos com as operadoras Capital Consig, Click Bank, Bem Cartões, Cartos e Fin4, apontadas como participantes do esquema que prejudicou cerca de 30 mil servidores públicos estaduais.

Na parte da manhã, representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) e de outras entidades, entre elas a Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT), participaram de uma reunião prévia com o advogado Pedro Taques e sua equipe. Na ocasião, os sindicalistas esclareceram dúvidas e cobraram novos encaminhamentos diante do atual cenário das negociações.

Sintep-MT
Orlando Francisco do Sintep-MT  aponta morosidade no estado em responder a crise provocada na vida dos servidores 

Segundo o secretário de Finanças do Sintep-MT, Orlando Francisco, houve poucos avanços após os 120 dias de suspensão dos consignados no estado. De acordo com ele, o nível de endividamento dos servidores permanece elevado e ainda não existem perspectivas concretas de solução para os trabalhadores prejudicados.

“O que ocorreu por parte do governo foi a adoção de novas regras para os empréstimos consignados, por meio do Decreto nº 12.957, incluindo o fim do cartão consignado. Contudo, a cobrança dos sindicatos é para saber como ficarão os débitos e as cobranças indevidas realizadas pelo sistema de consignados e pelos cartões, que provocaram um rombo no orçamento dos servidores”, afirma.

Para Orlando, há morosidade por parte do Ministério Público, o que indica que a resolução do problema ainda deve demandar tempo. Enquanto isso, a situação financeira dos servidores continua se agravando, cenário que, segundo ele, não será aceito de forma passiva pelas entidades sindicais.

“As dívidas comprometem a renda dos trabalhadores e reduzem sua capacidade de subsistência. Trata-se de um problema que tem provocado o adoecimento de muitos servidores públicos. No caso da educação, essas perdas se somam ao arrocho salarial acumulado de 18,38%. Já entre aposentados e pensionistas, o impacto é acrescido por mais 14%, resultado do confisco das aposentadorias iniciado em 2020”, destaca o dirigente.

A expectativa das entidades sindicais é que os próximos encontros resultem em encaminhamentos concretos para a revisão dos contratos e para a reparação dos prejuízos sofridos pelos servidores.