Encerramento da Conferência Antifascista destaca educação como eixo da soberania
Discussão trouxe perspectivas do Brasil e da América Latina sobre caminhos democráticos para garantir direitos e soberania
Publicado: 30/03/2026 11:55 | Última modificação: 30/03/2026 11:55
Escrito por: CNTE
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) participou, neste domingo (29), da mesa “Educação, Ciência e Tecnologia para a Soberania dos Povos”, realizada no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS). O debate integrou a programação do último dia da 1ª Conferência Internacional Antifascista, realizada entre os dias 26 e 29 de março.
Como comentadora da mesa, a presidenta da CNTE, Fátima Silva, destacou o papel central da educação pública na defesa da democracia e no enfrentamento ao avanço da extrema direita. “O avanço da extrema direita e do fascismo não acontece de forma repentina. Ele dá sinais ao longo do tempo, e é preciso que estejamos atentos e organizados para enfrentá-lo”, afirmou.

A presidenta também reforçou a importância da educação pública como base para um projeto de sociedade mais justo. “Defender a educação pública é defender a democracia. É nesses espaços que se constrói consciência crítica, memória e compromisso social”, pontuou, ao destacar a necessidade de fortalecer a mobilização coletiva em defesa dos direitos da categoria.
O presidente da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter, destacou a necessidade de uma defesa intransigente da soberania das universidades e da liberdade acadêmica. O dirigente também ressaltou o papel das instituições de ensino superior na participação nos debates públicos e a importância da organização estudantil e docente na vida universitária.
O dirigente sindical argentino e deputado Hugo Yasky apresentou uma análise sobre o cenário internacional. “Se constituímos maioria, é preciso que o povo também atue para que não sejamos transformados em minoria de direitos”, afirmou.
Yasky destacou a importância da luta dos povos latino-americanos. “A América Latina tem um destino de liberdade, e precisamos lutar para que esse destino se concretize”, acrescentou. Ao final de sua intervenção, a delegação argentina entoou palavras de ordem em defesa da educação, com o coro “pelea por la educación” (luta pela educação).
A representante da Federação Colombiana de Professores e ex-senadora Gloria Ramírez apontou que o avanço da extrema direita não deve ser compreendido como um fenômeno isolado. “Em momentos de crise, esses setores atacam justamente aqueles que têm potencial de transformar a sociedade, como a educação”, destacou.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressaltou a centralidade da educação para a soberania dos povos. “Não existe soberania sem educação e sem ciência, assim como não existe soberania sob intervenção imperialista”, afirmou. A estudante também destacou a necessidade de superar uma visão utilitarista da educação. “A educação não pode ser reduzida a uma função instrumental. Ela também é um espaço de emancipação”, pontuou.
A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, destacou a importância da formação de mais pessoas e da preparação da sociedade para enfrentar os desafios contemporâneos. A reitora também chamou atenção para a necessidade de combater o discurso de ódio em diferentes espaços, defendendo que é preciso compreender, ocupar e explorar as tecnologias e as redes digitais como ferramentas estratégicas nessa disputa.
A presidenta do CPERS, Rosane Zan, ressaltou a defesa da educação, da ciência e da tecnologia públicas como pilares de um projeto de sociedade comprometido com a justiça social. “Garantir que essas áreas sejam inclusivas e socialmente referenciadas é afirmar um caminho de desenvolvimento baseado na democracia e no protagonismo dos povos sobre seu próprio destino.”
Também participaram da mesa o presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, e o coordenador-geral da Fasubra Sindical, Sandro Pimentel.
A mesa integrou a programação da Conferência Internacional Antifascista, em Porto Alegre, reunindo organizações, entidades sindicais, movimentos sociais e representantes de diferentes países. A iniciativa promoveu espaços de reflexão e articulação política em torno da defesa da democracia, dos direitos sociais, da educação pública e da soberania dos povos.
Ao longo da programação, foram realizadas mesas de debate, plenárias e atividades autogestionadas, fortalecendo o diálogo e a construção de agendas comuns entre as organizações participantes. A conferência também buscou ampliar a cooperação internacional e consolidar estratégias coletivas diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora e pela educação pública.
Ao final da atividade, foi realizada a leitura da Carta de Porto Alegre, que reafirma a unidade internacional na luta contra o fascismo, a extrema direita e o imperialismo, além da defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania dos povos.
Acesse o portal do evento para conferir outras informações: Programação - I Conferência Internacional Antifascista




