Eleições de 2026 pautam debate no Conselho de Representantes do Sintep-MT
Dirigentes do Sintep-MT e da CUT apontam riscos para a classe trabalhadora e defendem participação nas decisões sobre os rumos do país e de Mato Grosso.
Publicado: 12/09/2026 18:10 | Última modificação: 12/09/2026 18:10
Escrito por: Roseli Riechelmann
As eleições de 2026 serão decisivas para o futuro da educação pública e dos direitos dos trabalhadores da educação, segundo avaliação apresentada durante a análise de conjuntura do Conselho de Representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), realizada neste sábado (12), em Cuiabá.
Os professores Ariovaldo Camargo, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e Gilmar Soares, do Sintep-MT, convergiram na avaliação de que a pauta democrática é uma importante aliada da classe trabalhadora diante da disputa política que se aproxima.
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Ariovaldo Camargo destacou que o que está em jogo é a soberania do país. Segundo o palestrante, a realidade política mudou, assim como o perfil dos políticos e a forma de fazer campanha. Para ele, o que era tradicional (telefone, TV, fax) perdeu espaço para as redes sociais, que passaram a ocupar papel central na divulgação de projetos políticos, em um ambiente marcado pela manipulação dos algoritmos.
De acordo com o sindicalista, a disputa coloca em lados opostos dois projetos. O primeiro de um país soberano para os brasileiros ou o segundo, que será de uma condição de dependência em relação aos Estados Unidos.
Para exemplificar os riscos de um projeto que considera colonialista, Ariovaldo citou o filme Good Bye, Lenin!, de 2003, dirigido pelo alemão Wolfgang Becker. A obra conta a história de uma mulher que sai do coma após a queda do Muro de Berlim e se depara com uma transformação radical da realidade que conhecia e defendia. “A escolha do projeto de entrega do país ao Trump é fazer com que a classe trabalhadora brasileira vivencie situações semelhantes às das personagens”, alertou.
Os impactos dos projetos políticos de Mato Grosso foram analisados pelo dirigente Gilmar Soares. Professor da rede estadual, ele apresentou uma avaliação dos efeitos das políticas adotadas nos últimos sete anos de governos Mauro Mendes e Otaviano Pivetta sobre a educação pública e os trabalhadores da área.
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Segundo Gilmar, houve retrocesso em conquistas dos trabalhadores da educação, especialmente a partir das reformas previdenciária e fiscal. O dirigente destacou as medidas que atingiram os aposentados, ampliaram o endividamento dos servidores e contribuíram para o empobrecimento dos profissionais da educação. “Dinheiro para pagar a Oi teve, mas para quitar a dívida da Revisão Geral não têm”, ressaltou.
Gilmar também apontou impactos das políticas pedagógicas adotadas no estado, entre elas a militarização das escolas e o encolhimento do projeto de escolas de tempo integral. Citou ainda a política de redimensionamento, que provocou impactos na organização da educação nos municípios.
O dirigente destacou também que as leis de desmonte da carreira dos educadores passaram a vigorar após forte apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa, além de medidas que também contaram com respaldo de parte do Poder Judiciário. “Existiu um alinhamento entre os poderes que contribuiu para perdas dos servidores públicos no estado”, ressaltou.
Para Gilmar, é fundamental que os trabalhadores da educação, apesar das imposições políticas, exerçam seu papel de sujeitos na construção da educação. Para ele, os profissionais precisam ser protagonistas no espaço escolar e atuar como educadores, contribuindo para qualificar o trabalho com os estudantes.




