Educadores de Alto Paraguai podem entrar em greve por falta do piso salarial
Após reunião com promotor, Sintep oficializa comunicado de greve e condiciona paralisação ao resultado de negociação com a Prefeitura.
Publicado: 16/07/2026 10:07 | Última modificação: 16/07/2026 10:07
Escrito por: Roseli Riechelmann
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) oficializou o comunicado de greve dos profissionais da educação da rede municipal de Alto Paraguai (a 178 km de Cuiabá). A paralisação será deflagrada caso a Prefeitura não apresente uma proposta para cumprir o Piso Salarial Nacional em reunião marcada para o próximo dia 21, às 16h, na Secretaria Municipal de Educação.
A decisão foi anunciada após reunião realizada nesta terça-feira (15) com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), quando dirigentes sindicais receberam orientações que, segundo a entidade, confirmam o direito da categoria à aplicação do piso salarial.
De acordo com o diretor regional do Sintep-MT no Polo Médio Norte II, Joildo Jovino de Oliveira, a categoria já havia aprovado o estado de greve durante Assembleia Geral realizada em 2 de julho.
"A reunião com o promotor de Justiça Arthur Yasuhiro Kenji Sato, da 2ª Vara Cível da Comarca de Diamantino, foi positiva e esclarecedora. O promotor ouviu os relatos dos dirigentes sindicais e foi informado sobre estudos orçamentários apresentados pelo sindicato que demonstram a viabilidade financeira da Prefeitura para garantir o pagamento do piso", afirma.
Ainda conforme Joildo, o promotor manifestou interesse em intermediar o diálogo entre o prefeito e os trabalhadores durante a reunião prevista para o dia 21.
Caso não haja acordo, além de deflagrar a greve, o Sintep pretende ingressar com um mandado de segurança para exigir o cumprimento do piso salarial de 2026.
Segundo a presidenta da subsede do Sintep em Alto Paraguai, Márcia Araújo Gomes, o município paga R$ 2.794,54 aos educadores, enquanto o piso nacional é de R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais. Como a carga horária da rede municipal é de 30 horas, o valor proporcional devido seria de R$ 3.847,97. De acordo com a dirigente, a diferença representa uma perda mensal de R$ 1.053,43 para cada profissional.
No ofício encaminhado à Prefeitura, o Sintep reivindica a correção imediata dos salários, o pagamento das diferenças retroativas e a abertura de diálogo para avançar em pautas voltadas à melhoria da educação pública. O sindicato também destaca que o direito de greve é assegurado pelo artigo 9º da Constituição Federal.




