Educação de Nova Monte Verde denuncia manobra da prefeitura contra o Piso Nacional


Prefeito tenta mascarar recomposição salarial enquanto desmonta a carreira e descumpre a lei federal do magistério.

Publicado: 03/02/2026 12:23 | Última modificação: 03/02/2026 12:23

Escrito por: Roseli Riechelmann

Reprodução Ascom
Prefeito envia para a Câmara Municipal de Nova Monte Verde projeto de lei que prove desvalorização do Piso Salarial da educação

Os profissionais da educação da rede municipal de Nova Monte Verde (972 km ao norte de Cuiabá-MT) denunciam, por meio da subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep-MT), manobras da prefeitura para descumprir a lei federal do Piso Salarial Nacional. O projeto de lei enviado para a Câmara foi divulgado na mídia oficial da prefeitura, na segunda-feira (02/02), tenta vender a imagem de ganho aos educadores. Contudo, as entrelinhas revelam o calote em direitos.

O presidente da subsede do Sintep-MT em Nova Monte Verde, Élcio Leandro, denuncia a medida falaciosa do prefeito Edmilson Marino, ao anuciar a recomposição salarial. A medida, além de não cumprir a legislação federal (Lei nº 11.738/2008), ainda desmonta a lei de carreira dos profissionais da educação municipal - Lei nº 627/2013, ao desconfigurar as conquistas de recomposição coletiva e desmembrar a tabela salarial dos professores, em nível médio (magistério) e outra para graduados.

A recomposição reduzirá em 60% o valor do piso salarial inicial da carreira, que deve ser aplicado, conforme estabelecem as legislações federais — Lei nº 11.738/2008 e a LDB nº 9.394/96 —, a partir do nível médio (magistério). 

O descumprimento do piso salarial da Educação — fixado em R$ 5.130,63 para 2026, no nível médio — não é a única arbitrariedade do Executivo municipal. Desde que assumiu a prefeitura, Edmilson Marino tenta anular a atuação do sindicato nas lutas em defesa da educação pública e dos educadores no município.

Conforme Élcio Leandro, o prefeito publicou portarias por meio das quais retirou a representatividade do sindicato de dois Conselhos Municipais: o Conselho Municipal de Educação e o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb, ambos responsáveis por fiscalizar e monitorar o uso dos recursos destinados à educação e as políticas educacionais implementadas no município.

Segundo o dirigente sindical, a categoria se organiza para frear a precarização promovida pelo atual gestor municipal. “Vamos buscar a via da negociação, esgotando todas as possibilidades e, se não for possível, entraremos com ação no Ministério Público. Mas o que temos visto é a intransigência do prefeito para o diálogo com os representantes da categoria”, finaliza.