Durante evento sindicalista cobra visibilidade e valorização dos funcionários de escola


Representante do Sintep/Várzea Grande expõe os problemas enfrentados pelos funcionários de escola estaduais diante do acúmulo de funções e falta de reconhecimento.

Publicado: 13/07/2026 16:08 | Última modificação: 13/07/2026 16:08

Escrito por: Roseli Riechelmann

Reprodução/Sebrae-MT

 Menos de cinco minutos de fala foram suficientes para revelar uma realidade que muitos trabalhadores das escolas estaduais de Mato Grosso conhecem diariamente. Durante uma formação voltada aos funcionários de escola da rede estadual, na última sexta-feira (10/07), a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), subsede Várzea Grande, e funcionária aposentada da educação, Maria Aparecida Cortez, trouxe para o centro do debate situações que fazem parte da rotina daqueles que ajudam a manter as escolas funcionando, mas que nem sempre recebem o devido reconhecimento.

Com a experiência de quem viveu esses desafios no cotidiano escolar e continua acompanhando de perto a realidade dos funcionários e funcionárias de escola, Cida Cortez destacou que, por trás do funcionamento de cada unidade, existem profissionais que acumulam funções, enfrentam condições inadequadas de trabalho e ainda lutam para terem direitos reconhecidos.

A identificação com o público foi imediata quando a dirigente citou a realidade de uma funcionária responsável pela higienização que, além de limpar os espaços escolares, também precisa atender o portão e receber quem chega à escola. Uma profissional que exerce múltiplas tarefas, mas que muitas vezes não encontra sequer um espaço adequado para descanso.

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Dirigente do Sintep/VG, funcionária de escola aposentada, Maria Aparecida Cortez

“Ficamos nos corredores. Funcionário se reúne no banheiro, apesar de ter sala de coordenação, sala de direção, sala dos professores, sala disso e daquilo. Funcionário não tem sala de descanso. O vigia da noite não pode entrar na cozinha para ferver uma água e fazer um chá. E isso precisa ser pensado”, afirmou.

Ao analisar a apresentação oficial feita pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), a dirigente ressaltou a distância entre o que está previsto nos discursos e o que é vivido diariamente pelos trabalhadores. “Vocês falaram muito bem, do ponto de vista do que é ideal, mas não é do ponto de vista do que é a realidade. Não reconhecem a periculosidade e a insalubridade. A Secretaria está negando pagar o que é direito daqueles que limpam o banheiro”, afirmou, ao defender o pagamento dos adicionais previstos aos profissionais.

A sindicalista também chamou atenção para situações enfrentadas por trabalhadores que adoecem em razão das atividades exercidas. Ao lembrar o caso de uma funcionária diagnosticada com alergia grave causada pelo contato constante com produtos utilizados no trabalho, criticou as dificuldades encontradas para obter afastamento por meio da perícia estadual.

“É um problema grave quando a perícia aponta que, mesmo tendo as mãos sangrando pelo uso de detergente, isso é frescura da servidora”, relatou.

Para Cida, discutir o futuro da educação passa necessariamente pelo reconhecimento daqueles que estão todos os dias dentro das escolas. “Precisamos tratar de problemas que precisam ser resolvidos a partir da verdade, da valorização, do reconhecimento e do respeito aos trabalhadores da educação, funcionários de escola. Se a escola hoje é dez, não é pelo governo, é por nós”, concluiu, recebendo aplausos dos participantes.