Dirigente licenciado do Sintep-MT elenca desafios da educação de MT, em entrevista


Henrique Lopes faz críticas ao modelo cívico-militar, lembra a manipulação de indicadores de aprendizagem e condena confisco das aposentadorias, durante programa Opinião da TV Pantanal

Publicado: 05/05/2026 19:03 | Última modificação: 05/05/2026 19:03

Escrito por: Roseli Riechelmann

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Em entrevista nesta segunda-feira (04/05), no Programa Opinião, da TV Pantanal, em Cuiabá, o dirigente licenciado do Sintep-MT (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), Henrique Lopes, reafirmou a defesa da educação pública no estado.

Ao ser questionado sobre as escolas cívico-militares, reiterou críticas ao modelo adotado na rede estadual. Segundo Henrique Lopes, militares que atuam nas unidades recebem gratificações, apesar do título de “voluntários”, com ganhos superiores aos salários de carreira dos profissionais da educação, capacitados para atuar no ambiente escolar. Ele elencou os investimentos do governo no modelo e questionou a afirmação de que haja melhoria nos índices de aprendizagem, destacando a necessidade de estudos mais elaborados para sustentar essa conclusão.

Sobre a qualidade da educação pública no estado, Henrique Lopes destacou que há bons resultados no Ensino Fundamental, especialmente em experiências conduzidas por prefeituras, mas que o estado ainda enfrenta desafios no Ensino Médio. Citou, inclusive, limitações do IDEB ao não considerar aspectos como o ambiente educativo e outras disciplinas além de Português e Matemática.

Henrique lembrou as denúncias feitas pelo Sintep-MT sobre a manipulação de dados pelo governo do estado, com práticas que alteram os indicadores ao classificar alunos evadidos como transferidos e rever reprovações ao fim do ano para promoção dos estudantes, mesmo diante das faltas. As denúncias já foram apresentadas ao Ministério Público Estadual, com o objetivo de apurar os dados e refletir a realidade da educação em Mato Grosso.

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Dirigente licenciado do Sintep-MT, Prof. Henrique Lopes.

Questionado sobre o papel da Assembleia Legislativa na educação, afirmou ser fundamental, mas pouco executado. “Caberia acompanhar os investimentos públicos em educação, avaliar o ambiente escolar, a infraestrutura, a valorização dos profissionais e não aceitar os dados do governo como verdadeiros”, destacou.

Nas perguntas dos telespectadores, respondeu sobre o desconto previdenciário dos aposentados, que sofrem perdas de 14% nos salários desde 2020. Classificou como “absurda” a medida prevista na Lei 103/2019, do governo Bolsonaro, e agravada no estado pelo governador Mauro Mendes, que aplicou o desconto a partir de um salário mínimo. Após pressão dos servidores, a faixa foi elevada para R$ 3 mil.

Conforme Henrique, o tema está no Supremo Tribunal Federal, com decisão já favorável aos aposentados, mas ainda depende da publicação do acórdão para que o desconto passe a respeitar o teto do INSS. “Os aposentados foram penalizados duas vezes em Mato Grosso, tanto pelo desconto da previdência como pela ausência da revisão geral anual.”

Por fim, apontou a falta de professores na rede pública, atribuída à ausência de concursos e ao aumento de contratos precários, o que gera alta rotatividade nas escolas.

Confira a entrevista na íntegra a seguir: