Conjuntura discute mídia e democracia no Brasil diante das manobras da classe dominante
A palestrante Ângela Carrato alerta para a influência histórica da classe dominante com apoio da mídia e forças armadas para avançar no projeto de sociedade de ataques à classe trabalhadora
Publicado: 20/02/2026 19:53 | Última modificação: 20/02/2026 19:53
Escrito por: Roseli Riechelmann
A conjuntura apresentada no XIX Congresso Estadual do Sintep-MT, realizado na quinta-feira (19), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá, deixou transparente os interesses mantidos pela classe dominante (rentistas, banqueiros) e sustentados pela mídia hegemônica, com apoio das Forças Armadas.
A exposição foi conduzida pela professora doutora em Comunicação Ângela Carrato, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mediação do secretário de Articulação Sindical do Sintep-MT, professor Gilmar Soares.
Segundo Ângela Carrato, a realidade brasileira exige atenção e uma análise aprofundada para compreender os rumos da sociedade. Em sua fala, destacou as conexões do tripé -classe dominante, mídia e Forças Armadas - com grupos externos, ressaltando a histórica relação de subserviência aos Estados Unidos.
A palestrante enfatizou a atuação da mídia hegemônica no Brasil, na sustentação das ideias da classe dominante, como, por exemplo, no debate sobre o fim da jornada 6x1. De acordo com ela, a narrativa ressalta que a adoção do modelo 5x2 provocaria a quebra do INSS e a queda na produtividade. “Essas narrativas, reproduzidas nas páginas dos jornais, moldam o senso comum e geram medo na população. Foi nesse ambiente que o governo Bolsonaro aprovou a Reforma da Previdência”, destacou, ao apontar uma das medidas que retirou direitos dos trabalhadores.
A palestrante citou ainda o movimento que acontece em Cuba e na Venezuela, e que pode vir a acontecer no México, na Nicarágua ou em outros países. Uma situação que preocupa porque busca estabelecer um clima social semelhante ao que está acontecendo na Argentina. Ela mencionou o modelo de Javier Milei, eleito com discurso baseado no medo.
“Prometeu o fim da inflação e outros avanços; no entanto, o resultado foi o aprofundamento do desmonte, com a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas. E agora que a sociedade reage aos desmandos do grande capital, a polícia bate e mata sem dó nem piedade.”
Ainda no cenário nacional, o Brasil enfrenta a atuação das fintechs, como o Banco Master, que acumulam prejuízos com dinheiro público. “É dinheiro do povo indo pelo ralo, sem que a mídia investigue as relações envolvendo Daniel Vorcaro”, ressaltou.
Os escândalos financeiros se revelam como uma reedição da Lava Jato 2, com apoio da mídia, que tenta descredenciar quem tem sido o grande defensor da democracia e do Estado de Direito na Constituição: o Supremo Tribunal Federal.
Para Ângela Carrato, a mídia aborda diversos assuntos, mas frequentemente deixa de tratar temas essenciais para a população. Segundo ela, o grande desafio posto aos educadores, do ponto de vista da escola, neste ano eleitoral, é a interface entre educação e comunicação.
Conforme a palestrante haverá grandes enfrentamentos diante do poder da extrema direita tentando voltar ao governo para estabelecer um cenário de terra arrasada. Nesse sentido, a escola e os profissionais serão desafiados a desvelar essa comunicação inclusive por meio das redes sociai e das fake news, mantendo viva, na população, a esperança de mudança.
Uma eleição que, segundo a palestrante, não definirá apenas o novo presidente, mas também governadores e congressistas que estejam do lado do povo. Ao contrário do que se registra em estados como Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, que, quando não se submetem ao capital, entregam o governo às milícias e às facções, tirando do povo a noção de Estado republicano e de direitos.




