Comunidade escolar resiste e derrota militarização em escolas estaduais de MT


Para o Sintep-MT a decisão dos pais e estudantes, numa votação que integrou 66 unidades da rede estadual, é motivo de comemoração na luta pela Escola Pública.

Publicado: 27/02/2026 17:51 | Última modificação: 27/02/2026 17:51

Escrito por: Roseli Riechelmann

As Escolas Estaduais Daniel Martins Moura, em Rondonópolis, e EE 13 de Maio, em Tangará da Serra, disseram não à militarização das unidades. A decisão de pais e estudantes mostra, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), um ato de consciência e resistência pela educação humanizadora e contra um modelo de formação na lógica do medo, da repressão.

A votação aconteceu nos dias 24 e 25 de fevereiro, em 66 unidades públicas da rede estadual. Os resultados já foram divulgados no site da Secretaria de Estado de Educação e na mídia mato-grossense. Apesar disso, existe uma corrente questionando a validade desses dois resultados. Paralelamente, a decisão contrária a militarização nas duas unidades foi comemorada pelas dirigentes das subsedes do Sintep-MT nos municípios de Rondonópolis e Tangará da Serra.

A presidente do Sintep/Tangará da Serra, Flávia Cristina Rezende de Lima, tem uma relação afetiva com a Escola Estadual 13 de Maio, na qual foi estudante entre 2001 e 2003 e agora é professora. “Tenho muito carinho e estima por essa escola. A escola pública não precisa de militar ganhando mais que professor(a), para falsamente cumprir um papel que é de educador ou até mesmo dever dos pais, que é preservar o respeito e a disciplina”, destacou.

O presidente do Sintep-MT, professor Henrique Lopes, destaca que a violência está na sociedade, e a política de militarização vem na lógica, equivocada, de que a indisciplina trazida para a escola por questões de ordem social, familiar, econômica será solucionada com militares dentro do espaço escolar.

Presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes.

Conforme Henrique, é compreensível, mas não aceitável, que alguns trabalhadores da educação defendam a militarização diante da política de sucateamento da carreira, da falta de valorização, sobrecarga de trabalho, duplas jornadas, quadro de profissionais insuficiente nas escolas, sem contar com o aporte de investimentos diferenciados entre as escolas públicas regulares e as cívico-militares. Para Henrique, todo o desmonte leva à crença na lógica reversa da Educação libertadora e sobre qual é seu papel na formação humana.

Em Rondonópolis, a presidente da subsede, Valdenice Gabriel da Costa, acredita que mesmo a EE Daniel Martins Moura ter sido a única, entre sete escolas, a descartar o modelo cívico-militar, foi uma vitória. “Infelizmente, os profissionais da educação, principalmente os que atuam diretamente com os estudantes, acabam por pensar que a presença de militares na escola pode ‘disciplinar’ os alunos”.

Conforme a dirigente, o Estado não dá o suporte necessário para as escolas não militarizadas, da mesma forma que dá para as que aceitaram ser militarizadas e, quando se somam todos os pontos, fica fácil perceber o porquê de alguns professores imaginarem que nas militares é mais fácil trabalhar.

Henrique Lopes conclui ressaltando que o modelo de formação militarizada é usado pelo governo com o argumento de reduzir a violência, que se amplia nas ruas de Mato Grosso, em níveis alarmantes. Enquanto isso, as escolas públicas seguem lotadas de militares e evasão de estudantes aumenta, conforme censo escolar de 2025.