“Cômico, se não fosse trágico”, reage dirigente do Sintep-MT às desculpas sobre a RGA


Nesta quarta-feira (20/01) o Sintep-MT participa da mobilização dos servidores, às 14 horas, na ALMT para cobrança do débito

Publicado: 20/01/2026 18:11 | Última modificação: 20/01/2026 18:11

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep-MT

A luta dos servidores públicos de Mato Grosso pelo pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) em atraso junto ao governo estadual é classificada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) como cômica, se não fosse trágica. Para a entidade, as recentes declarações do governador Mauro Mendes revelam novas desculpas para negar um direito dos trabalhadores. Nesta quarta-feira (21), às 14 horas, reforçará a mobilização na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, para cobrar os débitos.

O anuncio da apresentação do Projeto de Lei ao legislativo, sobre o percentual (4,26%) da RGA de 2026, não atende a cobrança dos retroativos. Em recentes declarações, o governador compara percentuais de RGA pagos pelo governo estadual e pelo governo federal, e, mais uma vez tenta negar a responsabilidade do Estado, além de colocar a população contra os servidores. 

Em oito anos de gestão, Mauro Mendes concedeu 29,43% de RGA. O que não é mencionado, conforme o sindicato, é que o IPCA — índice que mede a inflação — acumulou 58,05% no mesmo período. “Estamos diante de um empobrecimento real dos servidores públicos de Mato Grosso”, afirma o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes.

Francisco Alves/Sintep-MT
Henrique Lopes, presidente do Sintep-MT, faz a defesa dos pagamento  dos retroativos da RGA.

Sobre as comparações entre Estado e União, o sindicato lembra que o Brasil é um país federado, no qual estados e municípios possuem autonomia administrativa e orçamentária. “Cada ente tem sua realidade. Se não fosse assim, poderíamos comparar o salário dos profissionais da educação de Mato Grosso com os de Mato Grosso do Sul”, destaca Henrique.

A diferença, segundo ele, é que no estado vizinho houve negociação e avanços. Em Mato Grosso, apesar do crescimento econômico acima da média nacional e da projeção orçamentária para 2026 indicar aumento superior a 20%, não há disposição política para sequer para quitar a dívida com os servidores. “Não é falta de recursos, é truculência administrativa e ausência de vontade política”, critica Henrique Lopes.

O dirigente alerta que o descaso do governo tem provocado perda significativa do poder de compra. “Em 2018, com R$ 100 era possível comprar uma certa quantidade de produtos no supermercado. Hoje, esse mesmo valor não compra nem metade”, exemplifica.

Henrique também denuncia que, enquanto nega a reposição salarial, o governo estimula o endividamento dos servidores por meio do crédito consignado. “A maioria está até o pescoço em consignados, sendo explorada com a anuência do Estado por instituições financeiras que, inclusive, estão sendo investigadas pela Polícia Federal”, afirma.

O sindicalista ressalta ainda a importância de divulgação da Lei do Descongela (LC 226/2026), publicada em 12 de janeiro de 2026, que garante o pagamento de direitos retroativos, incluindo a RGA suspensa durante a pandemia pela Lei Federal 173/2020. A única exigência prevista é a existência de recursos.

“O orçamento de 2025 foi de aproximadamente R$ 36,6 bilhões, superado com superávit. Estudos comprovam que o Estado não atingiu sequer o limite de alerta com gastos de pessoal, muito menos o limite prudencial (49%). É o sangue e o suor dos servidores sendo investidos em obras e parques que sequer beneficiam a população”, conclui Henrique Lopes.