Coletivo educacional debate clima de vigilância e perseguição nas escolas


Em reunião virtual na terça (29), dirigentes analisaram estudo “Politização no Cotidiano das Escolas: Um Olhar para a Prática Docente”, realizado em parceria com a FGV

Publicado: 01/10/2026 11:29 | Última modificação: 01/10/2026 11:29

Escrito por: CNTE

REPRODUÇÃO/CNTE

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou, na terça-feira (29), uma reunião virtual do Coletivo Educacional para apresentar o resultado da pesquisa “Politização no Cotidiano das Escolas: Um Olhar para a Prática Docente”.

Parceria entre a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP) e a CNTE, o estudo busca compreender como o contexto social e político atual no Brasil têm afetado o trabalho da educação. 

Leia os resultados do questionário clicando aqui.

“Nós vamos apresentar a pesquisa aos nossos governos e basear inclusive a nossa luta e nosso discurso em cima de pesquisas reais. Temos aqui uma visão de como andam as condições de trabalho e o adoecimento dos/as nossos/as professores/as que atuam nas séries finais do ensino fundamental e ensino médio”, disse a secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Odisséia de Carvalho.

Trabalhadores/as da educação têm vivenciado um crescimento na vigilância e insegurança profissional devido à pressão política no cotidiano escolar. Segundo os dados, 61,7% dos/as entrevistados/as sentem que a pressão política interfere em sua autonomia profissional. O estudo contou com a participação de 2.235 docentes.

A pesquisa inclui relatos anônimos dos/as respondentes. Confira alguns exemplos:

“A pressão vem de duas frentes: ou porque se trabalha certo conteúdo considerado mais sensível pela família ou porque não se trabalha. E a pressão vem por ameaça de denúncia, nunca para uma conversa, para saber os motivos do planejamento didático ser daquela forma. As famílias terceirizam a educação e a formação à escola, mas não fazem sua parte.” 

“Nós professores temos que nos calar diante do avanço da violência, falta de respeito e de compromisso dos alunos e dos pais. Temos que pisar em ovos para não ofendê-los, utilizar determinadas palavras nas aulas pode ser muito perigoso, tudo é crime. Sou professora de geografia e é muito difícil selecionar termos para lecionar. Sinto-me desmotivada e perseguida por uma política podre que está destruindo a educação.” 

Relatório

A coordenadora da pesquisa e professora da FGV/EAESP, Gabriela Lotta, e a pesquisadora Virginia Rocha também participaram da reunião. Elas apresentaram o relatório inicial de análise das respostas coletadas no questionário.

“Eu acho que é uma situação muito crítica o que a gente tem visto. Fizemos um primeiro relatório, com linguagem simples, muitas imagens e infográfico. Mas tem uma parte do questionário que a gente ainda não acabou de analisar, então vamos continuar os esforços”, explicou Gabriela.

Virginia detalhou algumas informações sobre os resultados. A maior parte das respostas veio do Sudeste (42%), Sul e Nordeste tiveram uma participação similar, de 23% e 21% respectivamente, seguidos do Centro-Oeste (10%) e do Norte (3%).

O maior índice de participação veio de professores/as com vínculo estatutário. Apenas 22% das respostas válidas eram de profissionais temporários. “Não é uma representação do país como um todo, mas fornece uma amostra que nos permite ter uma noção de como os/as professores/as se sentem nesse ambiente polarizado”, complementou Virginia.


Encaminhamentos

Após a apresentação, os/as participantes expuseram suas conclusões sobre os dados e solicitaram que as análises sejam apresentadas também com divisões por estado, para compreender a situação de cada região.

“Essa pesquisa será uma ferramenta fundamental para todos os educadores brasileiros e todo mundo que é comprometido com a educação. Nós temos obrigatoriedade, sobretudo agora que nós temos um sistema nacional, de consolidar um plano nacional de forma democrática, que respeite os profissionais da educação e que nos valorize”, comentou o secretário-geral da CNTE, Fábio de Moraes.

Os esforços de divulgação da pesquisa nas bases serão iniciados após o período eleitoral. “É importante que a gente tenha subsídios para apresentar propostas, demandas e estabelecermos políticas públicas e educacionais efetivas para que a gente possa melhorar a educação pública”, reforçou Odisséia.