Ato revela defasagem salarial, escolas precárias e falta de resposta às pautas dos educadores


Mesmo com margem financeira comprovada para assegurar 29%, gestão oferece apenas 7% e ignora proposta apresentada pelo sindicato.

Publicado: 28/11/2025 16:27 | Última modificação: 28/11/2025 16:27

Escrito por: Roseli Riechelmann

Sintep/Cotriguacú

Os educadores da rede municipal de Cotriguacú (950 km a noroeste de Cuiabá – MT), convocados pela subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso, no município, realizaram dois dias de paralisação das atividades, nesta quinta e sexta-feira (27 e 28/11). O objetivo foi cobrar da prefeitura municipal e sensibilizar o legislativo para a defasagem salarial de 29%, a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras, Salários e Remuneração (PCCR) e melhorias na infraestrutura das escolas.

Conforme o presidente da subsede do Sintep/Cotriguaçu, Carlos Niero Filho, mesmo com as contas da educação auditadas pela prefeitura, confirmando margem para negociar o pagamento dos 29% de defasagem, a administração ignorou as reivindicações. Segundo o dirigente, a prefeitura ofereceu um repasse de 7%, o que levou a categoria ao protesto.

Sintep/Cotriguaçú
Manifestação distribuiu faixas com as reivindicações por toda a cidade

“O momento é esse para renovarmos as forças e partirmos para a luta. Nós queremos o que é nosso por direito e está assegurado na legislação federal 11.738/2008, que é a Lei do Piso”, afirmou o dirigente, destacando não só o fato de a prefeitura ter caixa para garantir salários dignos, como também a sinalização da categoria para o enfrentamento pelo direito.

Conforme levantamento do sindicato, educadores das cinco unidades escolares e das salas anexas participaram da mobilização nos dois dias. “Precisamos resgatar nossa dignidade como profissionais da educação, e essa união registrada nessa mobilização revela isso. Nunca vi os profissionais de Cotriguaçu unidos como nesses dois dias”, destacou a professora Maria Imaculada.

Sintep/Cotriguaçú
Presidente da subsede do Sintep/Cotriguaçú carregando cartaz que revela as condições que trafega o transporte escolar

As reivindicações foram além da valorização salarial e incluíram cobranças por infraestrutura adequada nas escolas, especialmente nas cozinhas e refeitórios, além de condições dignas para o transporte escolar, que trafega por rodovias em más condições.

O diretor da regional Noroeste do Sintep-MT, Carlito Pereira, destaca que a realidade de Cotriguaçu revela o desrespeito comum a muitos municípios da regional, que têm ignorado as pautas protocoladas pelos educadores. “Estão protelando a recomposição do piso, o concurso público — que também é reivindicação em Cotriguaçu — e uma série de situações que as subsedes solicitam via documento”, relata.

Segundo a categoria, a disposição continuará forte para a negociação, mas o enfrentamento não recuará enquanto o prefeito não fizer uma proposta condizente com o papel que os profissionais da educação ocupam na vida da população.