Após divulgação do Ideb, Sintep-MT cobra debate sobre aprendizagem


O sindicato afirma que a evolução dos indicadores precisa priorizar a aprendizagem dos estudantes e outros aspectos que retratam de fato a qualidade da educação pública.

Publicado: 10/08/2026 17:24 | Última modificação: 10/08/2026 17:24

Escrito por: Roseli Riechelmann

REPRODUÇÃO

Os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgados neste mês de agosto, reacenderam o debate sobre a qualidade da educação pública no país. O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) questiona se os indicadores refletem, de fato, a aprendizagem dos estudantes nas redes públicas. O destaque se deve ao fato de alguns estados, como Mato Grosso, adotarem políticas que priorizam a aprovação automática e o cumprimento de metas, com foco em índices.

O Sintep-MT acompanha os resultados do Ideb com atenção desde 2023, quando Mato Grosso passou da 22ª para a 8ª colocação no ranking nacional e, com resultados de 2025, alcançou o 6º lugar. Para a entidade, entretanto, a melhora dos indicadores não foi acompanhada por avanços proporcionais na aprendizagem dos estudantes.

Estratégia

A presidenta do Sintep-MT, Maria Celma Oliveira, afirma que a evolução dos índices precisa ser analisada com cautela. Segundo ela, é necessário compreender os critérios utilizados no cálculo do Ideb e verificar se os resultados representam, de fato, a qualidade da aprendizagem. Na avaliação da dirigente, professores, estudantes e famílias são os principais termômetros da realidade vivida nas escolas.

Sintep-MT
Maria Celma Oliveira, presidenta interina do Sintep-MT destaca que o sistema de avaliação para que ele considere a aprendizagem real dos estudantes e as condições das escolas.

O professor Gilmar Soares, também dirigente do sindicato, compartilha dessa avaliação. Ele afirma que educadores e familiares acompanham de perto as dificuldades enfrentadas pelos estudantes e destaca que o Ideb considera critérios de desempenho que, na avaliação da entidade, não abrangem toda a complexidade da realidade da educação pública.

“Salvo algumas ilhas de exceção, geradas por um conjunto de fatores, como a participação das famílias e as condições econômicas, sabemos que a educação não vai bem”, afirma.

Indicadores

Conforme avalia Maria Celma, as políticas educacionais passaram a priorizar a redução dos índices de reprovação e a ampliação da aprovação escolar como estratégia para elevar os indicadores de desempenho. Segundo ela, a manipulação nas regras de progressão dos estudantes interfere diretamente em uma das variáveis consideradas no cálculo do Ideb.

“A grande pergunta para a sociedade é: os estudantes da escola pública estão tendo aprendizado de fato?”, questiona.

Gilmar Soares afirma ainda que a melhoria da qualidade da educação depende de investimentos permanentes em infraestrutura, ampliação do tempo escolar e valorização profissional. Como exemplo, cita a realidade da escola em que atua, onde laboratórios de informática funcionam com equipamentos defasados e insuficientes para atender às necessidades dos estudantes.

Desafio

Além disso, o dirigente critica a priorização de políticas como a militarização das escolas em detrimento da ampliação da educação em tempo integral. Segundo ele, a ausência de investimentos estruturais, somada à sobrecarga de trabalho e à desvalorização salarial dos professores, compromete as condições necessárias para o ensino e a aprendizagem.

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Para o professor, os índices educacionais, quando confrontados com a realidade vivida por estudantes, famílias e profissionais da educação, demonstram que Mato Grosso ainda enfrenta o desafio de superar uma concepção baseada na meritocracia e no mercantilismo da educação.

“O cenário atual demonstra que, apesar dos elevados investimentos realizados, permanecem problemas estruturais que impedem avanços significativos na qualidade do ensino. A aplicação de recursos em contratos, plataformas e programas educacionais não garante, por si só, melhores resultados quando as escolas não dispõem de tempo adequado, infraestrutura suficiente e equipes preparadas para executar essas ações”, destaca.

Para Maria Celma, o Ideb não pode ser tratado como um fim em si mesmo. “É preciso reavaliar o sistema de avaliação para que ele considere a aprendizagem real dos estudantes e as condições das escolas. Os índices são importantes como orientadores de políticas públicas, mas não podem determinar uma corrida por metas que não refletem a realidade da educação.”