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"Pequenos soldados do fascismo: a educação militar durante o governo de Mussolini"

Publicado: 24/02/2025 12:30

Segundo a professora Cristina S. Rosa, doutora em História Social, a educação militar implantada no governo fascista do ditador italiano Benito Mussolini, fazia parte de toda uma estrutura de ensino que visava formar o “novo homem” através de uma educação integral que envolvia o lado psicológico, físico e social.

Após a primeira tentativa da educação militar falhar, investiram massivamente nos jovens e nas crianças como o alvo principal da política educacional e de propaganda do Fascismo, pois através deles poderiam entrar na vida privada e pública da população. 

A estratégia para conquistar a adesão foi trabalhar o emocional das pessoas buscando atingir o coração e as mentes. 

Tinha como objetivo aumentar o controle social sobre a mocidade, garantindo ao Fascismo um espaço de introjeção do ideal de “novo Homem; Internalizar valores e comportamentos que assegurava à participação na “religião fascista; introduzir na organização da juventude uma educação mais militarizada, onde o que mais importava era a preparação para a guerra e não do espírito acima de tudo, e que idolatrasse o fascismo e seu líder.”(Cristina.S. Rosa)

A educação militar de Mussolini que preparava a juventude para o fascismo tem alguma semelhança com os programas cívicos militares atuais?

 

Por Cida Cortez **

A educação militar sob o governo do ditador italiano Mussolini e o programa cívico-militar atual compartilham algumas semelhanças fundamentais, especialmente no que diz respeito à formação de valores e comportamentos que visam moldar a identidade e a lealdade dos jovens à ideologia neoconservadores. Aqui estão algumas das principais semelhanças:

  1. Controle Social: Tanto a educação militar de Mussolini quanto os programas cívico-militares atuais têm como objetivo aumentar o controle social sobre a juventude. Isso é feito através de uma estrutura educacional que enfatiza a disciplina, a hierarquia e a lealdade ao Estado.

  2. Formação do "Novo Homem": Assim como Mussolini promoveu a ideia de um "novo homem" fascista, os programas cívico-militares contemporâneos buscam criar nos cidadãos um falso senso que incorpore o sentimento de patriotismo, disciplina e de dever cívico;

  3. Rituais e Simbolismo: A educação militar de Mussolini utilizava rituais e símbolos para reforçar a ideologia fascista. Da mesma forma, programas cívico-militares atuais incorporaram cerimônias e idolatria a certos líderes. 

  4. Controle das organizações estudantis: assim como no governo fascista de Mussolini, a implantação do fascismo controlava as organizações estudantis. Em e Mato Grosso, o governo estadual controla os grêmios estudantis e as direções das escolas públicas. É o governo que seleciona as escolas que serão militarizadas e a direção escolar, na maioria, assumem apenas o papel de apresentar a proposta, como se fossem educadores neutros e sem responsabilidade com a educação e formação dos estudantes. 

Pai e mãe, deve se perguntar por que o governador Mauro Mendes através do secretário estadual de educação Alan Porto, implantam escolas militares no Estado a toque de caixa, sem tempo suficiente para os debates para que os pais entendam direito o Programa da chamada escola cívico militar e os impactos na formação de seus filhos? Por que a Seduc não desrespeita a decisão da comunidade escolar quando a não militarização ganha?

Pergunto aos professores e funcionários da educação que defendem a militarização se os mesmos estão afirmando para o governo que são incapazes de educar as crianças que estão sob sua responsabilidade e precisam de militar (es) para substituí-los?

Pergunto aos representantes de pais nos conselhos de educação, (a maioria dos pais não sabem como eles foram eleitos e nem as decisões que tomam em nome do segmento) por que nunca se pronunciaram sobre fechamento de escolas , alunos sem vagas se convocaram os pais para debater assuntos de interesses da comunidade escolar, em especial paramilitarização de escolas e suas consequências?

Concluo reafirmando que escolas militarizadas e educação militarizada tem objetivo de criar uma massa de cidadãos de prontidão para atender convocações mesmo quando estas ATENTAM CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Qualquer semelhança com os últimos acontecimentos no Brasil, não é mera coincidência.

*Título da pesquisadora Cristina S Rosa é replicado no artigo de Maria Aparecida Cortez 

**Maria Aparecida Cortez - Licencia em Pedagogia; Especialista em Metodologia do Ensino Superior;Técnica Administrativa Educacional;Conselheira do Conselho Estadual de Educação(suplente);Conselheira do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena