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MILITARIZAR NÃO EDUCA: ESCOLA PÚBLICA NÃO SE GOVERNA PELO MEDO

Publicado: 09/02/2026 15:54

A ampliação das escolas cívico-militares em Mato Grosso revela uma contradição na política educacional do Estado: em vez de enfrentar os problemas estruturais da educação pública, o governo aposta em um modelo que desloca recursos e esvazia o sentido pedagógico da escola.

A militarização das escolas não é mera escolha administrativa: ela impõe custos permanentes e desloca recursos da educação integral, da valorização docente e da infraestrutura para estruturas militares, aprofundando desigualdades entre escolas.

Além do impacto financeiro, a militarização compromete o sentido da escola pública. Disciplina pedagógica se constrói com diálogo, mediação de conflitos, escuta e participação. O que se impõe no modelo cívico-militar é uma lógica punitivista, baseada no medo, na obediência hierárquica e na padronização dos corpos e comportamentos. 

Relatos de estudantes punidos por atrasos, humilhados publicamente ou submetidos a castigos evidenciam que não se trata de educação, mas de adestramento. A militarização enfraquece a gestão democrática ao substituir a participação da comunidade escolar por hierarquias externas, esvaziando o papel coletivo e crítico da escola pública.

Não há evidências de que a militarização melhore a qualidade da educação. Ao contrário, esse modelo produz exclusão, impõe custos às famílias trabalhadoras, mascara indicadores educacionais e aposta no medo como forma de controle. Educação pública de qualidade se constrói com igualdade de investimentos, valorização dos trabalhadores da educação, políticas sociais integradas e gestão democrática — não com disciplina militarizada, que institucionaliza desigualdades e enfraquece o papel emancipador da escola pública.

Por isso, o Sintep-MT segue firme na defesa de uma escola pública civil, democrática e socialmente referenciada, que eduque para a liberdade, o pensamento crítico e a construção de uma sociedade mais justa — e não para a submissão pelo medo.
 

Gibran Dias Paes de Freitas - Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente é Secretario de Cultura do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública de Mato Grosso e Professor da Educação Básica Subsede Barra do Garças